Texto da autoria de Diogo Barreto
Pode não parecer (ou se calhar até parece, não sei bem), mas já se passaram três anos desde que os Dead Combo editaram um disco pela última vez. Estávamos no longínquo ano de 2011 e a dupla composta por Tó Trips e Pedro Gonçalves lançou Lisboa Mulata. Neste disco é-nos apresentado um retrato da bela cidade de Lisboa em que se conjugam o Rock, o Jazz e o Fado, bem como os ritmos africanos.
Uma tela salpicada de elementos distintos que, no seu todo, resultam perfeitamente, de uma forma muito Pollockiana.
Pode não parecer (ou se calhar até parece, não sei bem), mas já se passaram três anos desde que os Dead Combo editaram um disco pela última vez. Estávamos no longínquo ano de 2011 e a dupla composta por Tó Trips e Pedro Gonçalves lançou Lisboa Mulata. Neste disco é-nos apresentado um retrato da bela cidade de Lisboa em que se conjugam o Rock, o Jazz e o Fado, bem como os ritmos africanos.
Uma tela salpicada de elementos distintos que, no seu todo, resultam perfeitamente, de uma forma muito Pollockiana.
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| Dead Combo A Bunch of Meninos Mar 10, 2014 |
Esta abordagem mescla à música surge-nos de novo neste A Bunch of Meninos, com lançamento previsto para dia 10 de Março, mas disponível para ouvir em streaming desde o dia 4.
A imagem é a mesma de sempre: um cangalheiro com uma guitarra e um gangster com um contrabaixo (e muitos mais instrumentos!). A este duo juntam-se o baterista Alexandre Frazão e o percussionista António Sérgio, A Bunch of Meninos que vem apimentar o disco.
A imagem é a mesma de sempre: um cangalheiro com uma guitarra e um gangster com um contrabaixo (e muitos mais instrumentos!). A este duo juntam-se o baterista Alexandre Frazão e o percussionista António Sérgio, A Bunch of Meninos que vem apimentar o disco.
O início do álbum
traz-nos uns Dead Combo em modo hipnótico, a escolher cada nota que tocam de
forma calma, pensada e cativante. Arraia
começa já a mostrar uma maior vivacidade e sentimo-nos quase como que num
frente-a-frente com o peixe que dá nome à música e prontos para o duelo, numa
luta que acabará apenas com um vencedor.
Miúdas
e Motas transporta-nos para longe, para um ambiente auspicioso e misterioso
que no final nos aparece como sendo uma tasca onde um homem canta, acompanhado apenas
por uma guitarra acústica. Um local onde não seria, aliás, nada estranho
encontrarmos os Dead Combo. A faixa Waits
parece manter este tom latino, com uma base de tango que incorre pelo blues, através da guitarra de Tó Trips.
(Chegamos a metade do
disco. Faz-se uma pausa, respira-se fundo e ouve-se um anúncio do Spotify. Surge então um novo parágrafo,
para não cansar quem lê. Estamos prontos?, Então seguimos em frente!)
A sonoridade abranda de
novo e o ritmo é sacrificado nas duas faixas seguintes para dar lugar à B. Leza das notas, apenas para voltar depois
sob a parafernália de guitarras encontrada em Dona Emília. Esta é seguida pela faixa título, que não nos deixa
esquecer que Trips é, sem a menor das dúvidas, um dos melhores guitarristas
portugueses da actualidade e que sabe mesmo fazer a sua guitarra rockar!
Esta A Bunch of Meninos é a pérola do disco e uma das mais electrizantes composições do grupo. Dos Rios transporta-nos para uma casa de fados algures na Mouraria, onde o instrumento que mais salta ao ouvido é a guitarra portuguesa (não fosse um dos artistas inspiradores deste projecto o Mestre Carlos Paredes), um coro sem palavras e, apenas mais tarde, entra a guitarra eléctrica carregada de distorção.
Esta A Bunch of Meninos é a pérola do disco e uma das mais electrizantes composições do grupo. Dos Rios transporta-nos para uma casa de fados algures na Mouraria, onde o instrumento que mais salta ao ouvido é a guitarra portuguesa (não fosse um dos artistas inspiradores deste projecto o Mestre Carlos Paredes), um coro sem palavras e, apenas mais tarde, entra a guitarra eléctrica carregada de distorção.
O disco encerra com uma
tentativa de alcançar um Tropicalismo que traduza o espírito relaxado que nos
vem à cabeça quando pensamos no Havai, acompanhado por um som característico do
nosso canto à beira-mar plantado - o próprio nome da canção revela esta
tentativa – acabando esta colectânea de excelentes músicas num registo mais
descontraído e alegre.
Não
sendo o meu disco de eleição da banda, é um disco que certamente me dará um
cada vez maior prazer de ouvir, audição após audição. E dará também uma óptima
prenda para o dia do pai!

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