07/03/2014

Review: Dead Combo "A Bunch of Meninos" (2014)

Texto da autoria de Diogo Barreto

Pode não parecer (ou se calhar até parece, não sei bem), mas já se passaram três anos desde que os Dead Combo editaram um disco pela última vez. Estávamos no longínquo ano de 2011 e a dupla composta por Tó Trips e Pedro Gonçalves lançou Lisboa MulataNeste disco é-nos apresentado um retrato da bela cidade de Lisboa em que se conjugam o Rock, o Jazz e o Fado, bem como os ritmos africanos. 
Uma tela salpicada de elementos distintos que, no seu todo, resultam perfeitamente, de uma forma muito Pollockiana.

Dead Combo
A Bunch of Meninos
Mar 10, 2014
Esta abordagem mescla à música surge-nos de novo neste A Bunch of Meninos, com lançamento previsto para dia 10 de Março, mas disponível para ouvir em streaming desde o dia 4.

A imagem é a mesma de sempre: um cangalheiro com uma guitarra e um gangster com um contrabaixo (e muitos mais instrumentos!). A este duo juntam-se o baterista Alexandre Frazão e o percussionista António Sérgio, A Bunch of Meninos que vem apimentar o disco.

O início do álbum traz-nos uns Dead Combo em modo hipnótico, a escolher cada nota que tocam de forma calma, pensada e cativante. Arraia começa já a mostrar uma maior vivacidade e sentimo-nos quase como que num frente-a-frente com o peixe que dá nome à música e prontos para o duelo, numa luta que acabará apenas com um vencedor. 
Miúdas e Motas transporta-nos para longe, para um ambiente auspicioso e misterioso que no final nos aparece como sendo uma tasca onde um homem canta, acompanhado apenas por uma guitarra acústica. Um local onde não seria, aliás, nada estranho encontrarmos os Dead Combo. A faixa Waits parece manter este tom latino, com uma base de tango que incorre pelo blues, através da guitarra de Tó Trips.

(Chegamos a metade do disco. Faz-se uma pausa, respira-se fundo e ouve-se um anúncio do Spotify. Surge então um novo parágrafo, para não cansar quem lê. Estamos prontos?, Então seguimos em frente!)

A sonoridade abranda de novo e o ritmo é sacrificado nas duas faixas seguintes para dar lugar à B. Leza das notas, apenas para voltar depois sob a parafernália de guitarras encontrada em Dona Emília. Esta é seguida pela faixa título, que não nos deixa esquecer que Trips é, sem a menor das dúvidas, um dos melhores guitarristas portugueses da actualidade e que sabe mesmo fazer a sua guitarra rockar!
Esta
A Bunch of Meninos é a pérola do disco e uma das mais electrizantes composições do grupo. Dos Rios transporta-nos para uma casa de fados algures na Mouraria, onde o instrumento que mais salta ao ouvido é a guitarra portuguesa (não fosse um dos artistas inspiradores deste projecto o Mestre Carlos Paredes), um coro sem palavras e, apenas mais tarde, entra a guitarra eléctrica carregada de distorção.

O disco encerra com uma tentativa de alcançar um Tropicalismo que traduza o espírito relaxado que nos vem à cabeça quando pensamos no Havai, acompanhado por um som característico do nosso canto à beira-mar plantado - o próprio nome da canção revela esta tentativa – acabando esta colectânea de excelentes músicas num registo mais descontraído e alegre.

Não sendo o meu disco de eleição da banda, é um disco que certamente me dará um cada vez maior prazer de ouvir, audição após audição. E dará também uma óptima prenda para o dia do pai!

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