16/04/2014

Review: 5-30 "5-30" (2014)

Texto da autoria de Diogo Barreto

Os 5-30 são um supergrupo de hip-hop constituído por Carlão dos Da Weasel, Dias de Raiva e O Algodão Não Engana (ou simplesmente, Algodão); Regula, um dos maiores nomes do hip-hop ‘tuga e Fred, baterista dos Orelha Negra que aqui assume o comando da produção. O primeiro registo do grupo foi lançado no dia 31 de Março.
5-30
5-30
Mar 31, 2014
Preparado para ouvir o disco, auscultadores na cabeça e Spotify a funcionar. Desaperto o cinto, não acendo nenhum cigarro, mas relaxo a minha mente como se fosse barro. E agora sim, que comece a viagem.

Samples no início que fazem antever uma entrada magnânima; uma Odisseia prestes a começar… Mas depois Carlão canta com um autotune que não convence… O começo não cativa, o que nunca é bom sinal. Vem de seguida o single Chegou a Hora, em que o ex-Dias de Raiva parece voltar aos seus dias de Pacman, com muita raiva nas suas palavras, uma raiva que combina perfeitamente com o rap rápido de Regula, bem como com o videoclip. O próprio Carlão considerou este tema “épico”. Eu concordo.

Todo o disco tem uma grande carga sexual e sentimental, afirmando a banda que é um disco feito com “mulheres no pensamento”. Pitas Querem Guito conta com a participação de Sam the Kid que aparece também no tema Dúvida. Nestes temas Regula cede o seu lugar ao rapper de Chelas, ficando apenas a apreciar o talento de Sam. Pitas Querem Guito é uma crítica a mulheres interesseiras e falsas e que pode vir a que considerem (injustamente) o grupo como misógino.

Dúvida conta ainda com um espetacular solo de teclado electrónico de Diogo Santos que já tocou com os Orelha Negra.
Abusos é uma das pérolas do disco. Dividida em duas partes, a canção fala sobre um dos grandes problemas da sociedade: o abuso de estupefacientes e de álcool que leva a um dos momentos mais marcantes do disco, quando Regula afirma “Já nem tens forças p’a andar com o teu filho aos ombros”, e, numa segunda parte, Carlão leva-nos numa viagem cheia de sensualidade pelo corpo de uma mulher.

Eu Já Estive Aqui é o momento de Regula brilhar, como fizera em Abusos. Uma canção sobre traição e a regra de ouro. Placas deixa de fora o refrão, com Regula e Carlão a trocarem rimas de forma alternada, com Carlão ainda a tempo de citar Caeiro, lembrando os dias de o Algodão (Não Engana).

Fim leva-nos aos saudosos tempos dos Da Weasel fazendo lembrar o tema Dedicado do clássico Podes Fugir Mas Não Te Podes Esconder. O disco acaba e está na altura de “botar do início” para reiniciar a viagem.


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