07/06/2014

Entrevista // Yesterday

O projecto Yesterday, liderado pelo português Pedro Augusto, ganhou, em 2006, o festival Termómetro Unplugged e em 2012, participou na compilação Novos Talentos FNAC e venceu, igualmente, o prémio Jovens Criadores.


Em conversa com o FYMS, Pedro Augusto vai falar sobre as suas influências, do seu mais recente trabalho The Waiting e da forma como se revê enquanto músico.

Tudo bons motivos para seguir a leitura na íntegra da conversa, abaixo.


FYMS: Yesterday é o nome deste projecto. Alguma vez pensaste fazer música com o teu nome – Pedro Augusto?
Sim! Houve uma altura, entre 2006 e 2009, em que descobri que conseguia cantar em português. Até aí tinha sido muito difícil expressar-me musicalmente na nossa língua e não conseguia encontrar uma forma de cantar as palavras que se arrastasse e que não fosse agressiva na dicção. Quando, ao ouvir muitas histórias antigas dos meus avós, eu comecei a anotar as palavras deles e a transformá-las em música, a palavra “Yesterday” teve um pequeno percalço e, por momentos, achei que o meu nome próprio era a melhor expressão desse período. Mais tarde, apercebi-me que a palavra “Yesterday” não tinha perdido assim tanto o sentido e nunca cheguei a abandoná-la.

FYMS: Quais são as tuas principais influências para a tua música?
Eu cresci a ouvir Cranberries. Contudo, quando a banda terminou, deparei-me com uma espécie de vazio; quase como se eu, depois disso, tivesse que descobrir música pela primeira vez. Foi aí que eu involuntariamente encontrei os Dead Can Dance, Mazzy Star, Pj Harvey, Bjork, Radiohead e que são influências, não porque influenciam a minha música directamente, mas porque, indirectamente, marcaram um novo período da minha vida pessoal – uma espécie de entrada na idade adulta. Mas, em geral, não sou um grande apaixonado por música.

FYMS: Onde te revês enquanto músico?
Um pouco à margem da indústria musical. Às vezes, sinto-me nos limites de um círculo onde nem toda a gente entra e apercebo-me, ao mesmo tempo, que prefiro ficar cá fora.

FYMS: Lançaste o teu sexto disco sob o nome “The Waiting”? Houve muita espera?
O sentimento de espera não esteve relacionado com a divulgação do álbum, nem com as condições da sua gravação. Teve a ver mais com o sentimento que está por detrás da construção de um álbum. Geralmente, este sentimento de espera esteve e estará sempre presente: as minhas músicas nascem sempre de um sentimento mais ou menos forte de fascínio por algo que nunca se deixará ver e isso implica sempre uma espera. No período subjacente a este álbum, isso expressou-se ainda com mais força.

FYMS: Sentes que este novo trabalho está a ter uma maior aceitação pelo público?
Este é o primeiro álbum onde decidi fazer uma divulgação profissional e, por isso, é normal que o seu alcance seja maior. Hoje em dia, apercebo-me, cada vez mais, que o alcance de um produto tem menos a ver com a maior ou menor qualidade do mesmo, mas com os meios disponíveis para o poder divulgar.

FYMS: Existe algum artista com quem gostasses de trabalhar?
Sou um pouco fascinado com sons electrónicos e samples. Quando ouço um ritmo, começo logo, involuntariamente, a arranjar melodias para sobrepor. Por isso, gostaria de trabalhar com alguém que me fizesse desbloquear essas melodias. Neste momento, já me encontro a trabalhar com um artista americano nesse sentido. Não posso, contudo, esconder o meu fascínio pela PJ Harvey.

FYMS: Como achas que está música Portuguesa?
É um pouco difícil responder a esta pergunta. Às vezes temos um pouco a noção de que a música Portuguesa é apenas aquilo que se ouve nas rádios. Já há lugar para os artistas portugueses nos canais de divulgação, mas para lá chegar continuam a ser precisos meios (sobretudo financeiros). Acho que a qualidade dos projectos musicais não está nada relacionada com qualidade de gravação, prestação ao vivo ou com o facto de aparecer ou não na rádio. Há por aí projectos que se mantêm na “sombra” e que são muito mais entusiasmantes do que as coisas às quais temos um acesso mais ou menos massificado.

FYMS: Perguntas da Praxe:
a) Um dia... gostava de poder viver para criar.
b) O melhor que podem dizer sobre mim... é ser honesto.
c) O pior que podem dizer sobre mim... é que não adapto e que isso é sinal de preguiça.
d) Daqui a 10 anos... vou estar, provavelmente, a gravar em casa o meu 11º disco.

FYMS: Quais são os próximos planos para Yesterday?
Como eu nunca paro de compor, já há novos temas para além dos do “The Waiting”. Alguns deles podem passar por colaborações com outros músicos, sobre as quais me encontro já a trabalhar. Encontro-me a fazer pequenas apresentações ao vivo e assim continuarei nos próximos meses.

FYMS: O que dirias aos leitores do FYMS?
Que, hoje em dia, quanto mais fácil acesso temos às coisas, mais temos que nos esforçar por encontrar outras… Espero que encontrem o meu novo álbum!


Mais informações sobre o artista aqui.

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