Em conversa com o FYMS, Pedro Augusto vai falar sobre as suas influências, do seu mais recente trabalho The Waiting e da forma como se revê enquanto músico.
Tudo bons motivos para seguir a leitura na íntegra da conversa, abaixo.
FYMS: Yesterday
é o nome deste projecto. Alguma vez pensaste fazer música com o teu nome –
Pedro Augusto?
Sim! Houve uma altura, entre
2006 e 2009, em que descobri que conseguia cantar em português. Até aí tinha
sido muito difícil expressar-me musicalmente na nossa língua e não conseguia
encontrar uma forma de cantar as palavras que se arrastasse e que não fosse
agressiva na dicção. Quando, ao ouvir muitas histórias antigas dos meus avós,
eu comecei a anotar as palavras deles e a transformá-las em música, a palavra
“Yesterday” teve um pequeno percalço e, por momentos, achei que o meu nome
próprio era a melhor expressão desse período. Mais tarde, apercebi-me que a
palavra “Yesterday” não tinha perdido assim tanto o sentido e nunca cheguei a
abandoná-la.
FYMS: Quais são as tuas principais influências
para a tua música?
Eu cresci a ouvir Cranberries.
Contudo, quando a banda terminou, deparei-me com uma espécie de vazio; quase
como se eu, depois disso, tivesse que descobrir música pela primeira vez. Foi
aí que eu involuntariamente encontrei os Dead Can Dance, Mazzy Star, Pj Harvey,
Bjork, Radiohead e que são influências, não porque influenciam a minha música
directamente, mas porque, indirectamente, marcaram um novo período da minha
vida pessoal – uma espécie de entrada na idade adulta. Mas, em geral, não sou
um grande apaixonado por música.
FYMS: Onde te revês enquanto músico?
Um pouco à margem da indústria
musical. Às vezes, sinto-me nos limites de um círculo onde nem toda a gente
entra e apercebo-me, ao mesmo tempo, que prefiro ficar cá fora.
FYMS: Lançaste o teu sexto disco sob o nome “The
Waiting”? Houve muita espera?
O sentimento de espera não
esteve relacionado com a divulgação do álbum, nem com as condições da sua
gravação. Teve a ver mais com o sentimento que está por detrás da construção de
um álbum. Geralmente, este sentimento de espera esteve e estará sempre
presente: as minhas músicas nascem sempre de um sentimento mais ou menos forte
de fascínio por algo que nunca se deixará ver e isso implica sempre uma espera.
No período subjacente a este álbum, isso expressou-se ainda com mais força.
FYMS: Sentes que este novo trabalho está a ter
uma maior aceitação pelo público?
Este é o primeiro álbum onde decidi fazer uma divulgação
profissional e, por isso, é normal que o seu alcance seja maior. Hoje em dia,
apercebo-me, cada vez mais, que o alcance de um produto tem menos a ver com a
maior ou menor qualidade do mesmo, mas com os meios disponíveis para o poder
divulgar.
FYMS: Existe algum artista com quem gostasses de
trabalhar?
Sou um pouco fascinado com
sons electrónicos e samples. Quando ouço um ritmo, começo logo,
involuntariamente, a arranjar melodias para sobrepor. Por isso, gostaria de
trabalhar com alguém que me fizesse desbloquear essas melodias. Neste momento,
já me encontro a trabalhar com um artista americano nesse sentido. Não posso,
contudo, esconder o meu fascínio pela PJ Harvey.
FYMS: Como achas que está música Portuguesa?
É um pouco difícil responder a
esta pergunta. Às vezes temos um pouco a noção de que a música Portuguesa é
apenas aquilo que se ouve nas rádios. Já há lugar para os artistas portugueses
nos canais de divulgação, mas para lá chegar continuam a ser precisos meios
(sobretudo financeiros). Acho que a qualidade dos projectos musicais não está
nada relacionada com qualidade de gravação, prestação ao vivo ou com o facto de
aparecer ou não na rádio. Há por aí projectos que se mantêm na “sombra” e que
são muito mais entusiasmantes do que as coisas às quais temos um acesso mais ou
menos massificado.
FYMS: Perguntas da Praxe:
a) Um dia... gostava de poder viver para criar.
b) O melhor que podem
dizer sobre mim... é ser honesto.
c) O pior que podem dizer
sobre mim... é que não adapto e que isso
é sinal de preguiça.
d) Daqui a 10 anos... vou estar, provavelmente, a gravar em casa o meu 11º disco.
FYMS: Quais são os próximos
planos para Yesterday?
Como eu
nunca paro de compor, já há novos temas para além dos do “The Waiting”. Alguns
deles podem passar por colaborações com outros músicos, sobre as quais me
encontro já a trabalhar. Encontro-me a fazer pequenas apresentações ao vivo e
assim continuarei nos próximos meses.
FYMS: O que dirias aos
leitores do FYMS?
Que, hoje em dia, quanto mais fácil acesso temos às coisas, mais temos que nos esforçar por encontrar outras… Espero que encontrem o meu novo álbum!
Que, hoje em dia, quanto mais fácil acesso temos às coisas, mais temos que nos esforçar por encontrar outras… Espero que encontrem o meu novo álbum!
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