24/07/2012

Entrevista // Com Norton

A few months ago, we had this amazing interview with this incredibly talented band from Castelo Branco named Norton.
Created ten years ago, Norton are composed by composed by Rodolfo Matos, Pedro Afonso, Leonel Soares and Manuel Simões.

Remember their beautiful single Glowing Suite and the band on this post.
With a few albums released and celebrating their 10th anniversary, they gave us a cool interview, explaining not only thir stories, their writing process, their touring but also sharing some opinions and personal curiosities.

For several reasons, we are only publishing it today... But it's a fun interview that you shall read and enjoy.

FYMS: Acho que já é uma pergunta que devem fazer muitas vezes mas...porquê o nome Norton?
Norton: Não tem nenhum significado especial, escolhemos um nome que fosse lido da mesma forma em qualquer nacionalidade, qualquer língua. Norton não tem nenhum significado, é como se fosse dar um nome a um filho, ou a alguém especial, tanto que queiramos nomear...e nós decidimos Norton.
Queríamos um nome que não tivesse tradução. E a nível gráfico também é um nome bonito, também fomos por aí.

FYMS: Quais são as principais diferenças do vosso álbum anterior e deste?
Norton: O disco anterior, o "Kersche", primeiro é um disco que a base tem muito mais electrónica, na altura estávamos mais virados para música quase de laboratório, e fez sentido para nós, naquela altura. Este disco, optámos precisamente por inverter um bocadinho isso, pelo menos tornar o disco muito mais orgânico, partimos com aquele conceito básico do rock, do rock n' roll clássico, que é uma bateria, baixo, guitarra e vozes. Tornar a coisa muito mais orgânica. Mas era uma das limitações que o "Kersche" tinha era que ao vivo não conseguíamos sair muito dalí, e com este disco, sendo muito mais orgânico temos essa possibilidade, apesar de termos electrónica na mesma, mas isso faz parte da história da banda e da sua personalidade.
Quando o disco foi feito, era o disco perfeito, base de laboratório, na sala, no estúdio, e este disco foi um disco feito desde início a pensar no que poderiam vir a ser os concertos ao vivo.
Para além de tudo o que falámos, acho que a principal grande diferença era a voz do vocalista, que saiu...e o Pedro assumiu as vozes principais.
E o Manel foi formalizado. Foi o primeiro disco com o Manel, com a banda, apesar de nos outros discos ter sempre participado de alguma maneira.
Acho que neste disco crescemos imenso, até como músicos, porque a composição do disco foi feita numa sala de ensaios, tudo a tocar ao mesmo tempo, as músicas vão surgindo... não como o "Kersche" que foi uma coisa mais pensada, mais como o Pedro e o Rodolfo estavam a dizer, de laboratório.
Este disco, é um reflexo muito grande de uma coisa que nos marcou imenso, que foi a nossa primeira tour, pela Europa em 2009, que na altura nunca pensámos que nos fosse marcar tanto.
Eu acho que este disco é um reflexo total daquela semana e meia pela Europa que estivemos todos juntos, acima de tudo é um disco de união, daí o nome do disco "Layers of Love United".



FYMS: O álbum foi lançado o ano passado, qual é a sensação após um ano de lançamento desse álbum? Já percebi que foi completamente diferente dos outros, o que é que vocês sentem, relativamente ao disco?
Norton: Sentimos que queremos voltar a gravar um novo, porque temos cada vez mais vontade de fazer coisas novas novas não é?
Mas no fundo sentimos um grande orgulho deste disco, já fez um ano é certo. Lançámos agora um terceiro single, continuamos a rodá-lo, continuamos a tocar ao vivo...
Desde o início que sentimos que tinha muito para dar, tem imenso potencial.
Este disco também nos deu outra força para podermos encarar uma nova etapa, um novo disco, e acho que isso é muito importante.

FYMS: Pegando agora nessa história do novo single. Porque é que o video foi filmado em Nova Iorque? Qual a história por trás da letra?
Norton: Porquê em Nova Iorque...é muito simples, nós conhecemos o Bruno Simões, o realizador, à cerca de ano e meio. Ele está a fazer um documentário sobre uma editora portuguesa, que já acabou nos anos 90, que era a “Bee Keeper”. Da qual nós todos fizemos parte, com outras bandas, e que esteve na nossa formação na música. E o Bruno é uma pessoa de fora, não estava ligado à editora, era uma das pessoas que comprava os discos da editora, é realizador, e achou que fazia sentido fazer documentários.
Contactou-nos como contactou as outras bandas todas, e houve uma vontade em fazer um vídeo para os Norton. Ele foi viver para Nova Iorque e nós precisávamos de um vídeo.
Em relação à história da música, é a música - a nível de letra - mais retalhada do disco, foi feita precisamente por nós os três, ainda me lembro de nós andarmos a escrever a letra, e é uma mistura das nossas experiências sobre uma parte da letra depois fomos fazendo o resto à volta dela.
Seguir um bocadinho o mood da música, uma música mais intima, forte também, a letra tem frases chave fortes e que nos dizem muito respeito. Saíram das nossas cabeças.


FYMS: Como é que se sentem ao serem comparados com bandas como Two Door Cinema Club e The Foals?
Norton: É agradável! Já agora quem é que faz essas comparações?

FYMS: Pessoalmente quando vos ouvimos ficamos com essa ideia, mas quando andamos a investigar mais sobre vocês, vimos na internet muitas coisas desse género.
Norton: Sim, é óbvio que essas influências estão no disco, e passam por bandas que nós, na altura que estivemos a compor o disco, andávamos a ouvir bastante e acabas sempre por não te conseguir afastar disso, e das tuas influências.
Tem um bocado a ver com o teu gosto pessoal e era estranho se nós ouvíssemos essas bandas e soássemos outra coisa.
A verdade é que nós fazemos sempre um esforço. preferimos sempre, como o Henrique Amaro disse uma vez “somos influenciados mas não influenciáveis”, ou seja, notas as influências mas não é igual a nada, não é cópia de nada, consegues dizer quais os discos, secalhar, que nós andávamos a ouvir na altura, mas não é igual a nenhuma música de nenhuma dessas bandas, e acho que por um lado é positivo.

FYMS: Agora estava-me a lembrar que eu hoje estava a comentar com uma amiga minha que ia fazer uma entrevista e tinha-lhe dito que era aos Norton, e ela depois foi ouvir e disse “realmente, isto soou-me a Two Door Cinema Club." Mas realmente é curioso, que mesmo alguém que não está tão ligado à área da música faça essa ligação.
Norton: Sim, faz sentido! E acho que neste assunto da música, acima de tudo as pessoas não devem ser hipócritas. Portanto secalhar é mais importante nós percebermos a história disto da música, das influências...e acho que não há muito mais a inventar.
Acho que acima de tudo, hoje em dia, as bandas ou são boas ou são más, eu acho que as pessoas que gostam mesmo de música percebem isso nas bandas, que é, quando és genuíno ou não é...
Acima de tudo tens de fazer aquilo que te vem no coração. Isso não quer dizer que os Norton nunca vão cantar em português, em 10 anos nunca nos passou pela cabeça. com os Norton acho que não faz sentido, as bandas que gostamos são anglo-saxónicas. Gostamos de música portuguesa? Claro! Tem boas referências, mas não crescemos com elas, ou seja, a música que começámos a fazer já foi feita em inglês. Tem tudo a ver com atitude.
E acho que consegues perceber quando tens imensas bandas a imitar uma banda de à 10 anos atrás, parece que todos querem cantar da mesma maneira, todos tentam imitar aquela pessoa. Mas há coisas boas cantadas em português e nós somos os primeiros a admitir que é muito mais difícil escrever em português do que em inglês. Cada língua à sua maneira.

FYMS: Mas por outro lado, o português cá em Portugal é menos aceite, provavelmente o publico em geral cá, não vai achar tanta piada. Eu acho que o povo português ainda é muito preconceituoso com a própria língua e com a própria musica.
Norton: Mas ultimamente tem crescido, tem havido um “boom” de bandas boas e de outras que vão atrás do carreirinho. Tens muito poucas bandas novas, comparando com à 4 anos atrás, a cantar outra língua. Imensas bandas estão a surgir agora e a cantar em português e foi uma coisa que se perdeu, nos anos 90.

FYMS: Vocês são de Castelo Branco, vocês sentem sentem que foi mais difícil para vocês conseguirem vingar?
Norton: Ao principio foi, hoje em dia não, com a internet e assim. Nós começámos, à precisamente, 10 anos atrás com os Norton, era muito mais complicado, secalhar há coisas que por não estarmos cá perdemos. Há determinadas oportunidades que perdemos porque nos passa um bocado ao lado.

Por outro lado, em Castelo Branco, a cidade é mais pequena, podemos ir a pé para a sala de ensaios, estamos mais relaxados, mais descontraídos. Temos uma sala de ensaios, o que aqui em Lisboa é difícil de ter, tens de pagar uma sala, nós lá temos a nossa, 5 minutos e estamos todos na sala...Temos essa mais valia. Encontramo-nos com muita facilidade.

FYMS: Na vossa página do Youtube vocês têm várias versões de uma música dos Friendly Fires. Porquê Friendly Fires e porquê essa música?
Norton: Isso foi em Paris, foi no último concerto da tour, foi num domingo e eram 4 ou 5 bandas. Éramos para fechar a noite, mas como chegámos tarde - viemos de Luxemburgo - meteram-nos a tocar em primeiro, e nós fomos visitar a cidade, onde nunca tínhamos estado e fomos à torre Eiffel , à noite, e estávamos com as guitarras.
E o disco dos Friendly Fires foram dos discos mais ouvidos na carrinha e já tinhamos falado que era giro fazer isso, depois surgiu tudo lá.
A primeira vez que tocámos essa versão desse vídeo que está no Youtube,essa versão é uma estrofe e o refrão, tem 1 minuto e tal, e depois quando viemos para casa começámos a tocar a música em acústicos. E surgiu a oportunidade para a gravar para uma edição japonesa do disco, que saiu também o ano passado, decidimos ter uns temas extras, gravamos este tema e agora como reeditámos o disco em vinil decidimos pôr um tema extra também no disco, a versão dos Friendly Fires.


FYMS: O que é que se segue a seguir?
Norton: Seguem-se concertos durante o Verão e começar a compor o disco novo. Até ao final do ano ter um disco novo pronto para sair no principio do ano.

FYMS: O que é que sentem pela musica portuguesa hoje em dia?
Norton: Eu acho que está melhor que nunca. Há a música muito boa e há a música popular, há muita coisa, há muitas bandas.

FYMS: Podem dar exemplos dessa música “muito boa”?
Norton: Há bandas muito boas. Os X-Wife são das melhores bandas, tens Wraygunn, tens os Linda Martini, agora há uns miúdos aí que estão com o primeiro disco e são extremamente interessantes vão ter uma prova de fogo quando sair o segundo disco são os Nice Weather for Ducks, os Memória de Peixe, há imensas bandas. E depois, o acesso à música, tem sido muito maior agora, podes ouvir um disco novo de maneiras muito diferentes. E é bom, esse acesso que tens às bandas, porque existem concertos e as pessoas já têm uma referência.

FYMS: Sim, estas iniciativas da Fnac e da Optimus, são sempre boas descobertas.
Norton: E agora vai reabrir o Ritz Club, já tínhamos aqui em Lisboa o MusicBox, pronto o Lounge também faz umas coisas, o Optimus Discos faz também aqueles festivais, tem sido muito bom.

FYMS: As perguntas da praxe...
a) Um dia…
Norton: Um dia, vamos poder viver da música.
b) A melhor coisa que podem dizer sobre mim…
Norton: Somos uma boa banda.
Gostaram de ver um concerto, gostam das canções, gostam do disco...
O mesmo que as pessoas dizem do café do Starbucks: Caro mas bom.
c) E a pior…
Norton: Ser uma cópia de uma banda qualquer...A voz do vocalista é miserável. Lemos esse comment no Youtube...
O pior que podem dizer é “São os Norton Anti-virus”
d) Daqui a dez anos…
Norton: Daqui a 10 anos, vamos viver da música. Daqui a 10 anos, vamos continuar a tocar, rugosos, mas com as guitarras na mão, com o mesmo gosto que temos hoje em tocar. Daqui a 10 anos são mais 10 anos da banda.

FYMS: O que diria aos leitores do nosso site?
Norton: O que é que dizíamos...Vão comprar o disco, vão ouvir, o disco, os discos.
Nós fazemos 10 anos e entretanto vamos começar a oferecer coisas aos nossos fãs e a quem nos ouve. E as pessoas vão ter oportunidade de ter várias surpresas e isso inclui ouvir a nossa discografia, seja que formato for, mas vão poder conhecer melhor os Norton. Fuckyeah.

[Special thanks to Norton for being so available and honest, to Raquel Lains for everything and to Sofia Viães for helping with the transcription process.]

Sem comentários:

Enviar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...