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30/11/2014

Review: Vodafone Mexefest 2014

Novembro 28 e 29 - Avenida da Liberdade, Lisboa
O primeiro dia começou no Starbucks com Mike Bek. Não foi a primeira vez que o vimos, no entanto, foi como se fosse. A evolução do Mike Bek ao longo dos meses que o acompanhamos é fantástica. Mantemos a forte aposta nele e acreditamos que um dia será descabido pensar nele para tocar no Starbucks.
Como é hábito no Vodafone Mexefest quando acaba um concerto corre-se para outro e ontem não foi excepção.

O FYMS dividiu-se e foi ouvir Capicua (e as mulheres que a acompanhavam) no São Jorge. Depois de um concerto de apresentação no Musicbox esgotado, a segunda experiência com Capicua ao vivo correspondeu às elevadas expectativas. Acompanhada pelo Dj D-One e M7, que fazem parte da espinha dorsal do projeto da “Sereia Louca”, Capicua convidou Gisela João e Aline Frazão para a acompanharem nas músicas a que dão voz no álbum. Houve igualmente tempo para algumas bailarinas, mas o que realmente se destacou, foi o movimento feminista criado pela Capicua com as suas rimas, ritmos e letras que colocam a Mulher no mais alto dos degraus.

Enquanto Capicua tocava no São Jorge, Tune-yards tocavam no Coliseu. Com um som muito particular, admitimos que a banda não é acessível a todos, devido à sua sonoridade muito particular e excêntrica, levando-nos por uma experiência estranha.

Numa corridinha ao Cinema São Jorge, também tivemos tempo de ver um pouco de Éme, um dos nomes mais requisitados da música portuguesa e com razão! Com um som quente e amistoso, relembrando muitas vezes nomes como B Fachada, a banda em palco foi exemplar na sua apresentação e deu um concerto sólido, interessante mostrando porque é uma das promessas deste ano!

De seguida, Shura esperava-nos na Casa do Alentejo fazendo lembrar os Daughter que no ano passado encheram o Coliseu para um dos melhores concertos dessa edição. Foi um concerto curto na Casa do Alentejo, o repertório também é igualmente pequeno, como banda emergente que são, deram boas indicações do que poderão criar e ser no futuro.

E se a ideia é ir de palco em palco, é de esperar que em alguns não consigamos entrar. Foi o que aconteceu em Kindness. A noite terminou com St. Vincent e os seus longos discursos (ou conta-histórias) entre músicas. Com grandes expectativas, St. Vincent acabou por não chegar ao nível. Com um concerto ameno que, certamente, deliciou os fãs mais fervorosos da cantora, no entanto, pecou na conquista de novos públicos, tornando-se, por vezes, pouco interessante.


No segundo dia de Vodafone Mexefest optámos por dar uma espreitadela a Bristol, com sala cheíssima, para rapidamente passarmos para a garagem da EPAL para (re)ver os Salto.
A banda portuense repetiu a presença no festival mas isso não diminuiu a avalanche de pessoas que se reuniu para os ouvir. Numa sala pouco propícia ao seu som, os Salto deram o melhor de si e mostraram como a música portuguesa está em alta! 
As novas composições da banda mostram-nos um pouco mais dark e obscuros, sem nunca perder o seu elemento mais festivo e característico, e entre sintetizadores, samples e bons ritmos, os Salto visitaram ainda alguns dos seus antigos êxitos. Vale sempre a pena ouvi-los!

E porque o Mexefest é mesmo uma festa de palco em palco, mal os Salto acabaram de tocar foi correr para ver Sharon Van Etten (com casa cheia!) a encantar o Coliseu dos Recreios. Com uma voz doce e melodias harmoniosas Sharon e companhia conquistaram o público português, deixando a ideia no ar que o 4º álbum da cantora americana é efetivamente o seu album de afirmação! No Coliseu houve ainda tempo para tocar uma música nunca antes tocada, e que será, como anunciado, um lado B de um próximo single.

Queríamos ter espreitado Cloud Nothings e Jay-Jay Johanson mas ambos esgotaram pelo que regressámos novamente à Garagem da EPAL para ouvir os Sensible Soccers.
Uma música ambiente, provavelmente, indicados para um início de festival. Não deixando de ter potencial, os Sensible Soccers pecaram por não surpreenderem. Esperávamos mais de uma das bandas que mais tem vindo a conquistar as críticas... Isso, ou somos mesmo difíceis!

A noite terminou com Wild Beasts. Um dos grandes nomes deste festival que, apesar de ter dado um concerto agradável, não surpreendeu. Falhou em diferentes aspectos, especialmente, na falta de uma cumplicidade calorosa com o público... Para o fim, o sentimento de indecisão foi diminuindo mas esperava-se algo mais surpreendente de um dos nomes mais apelativos do festival. 

Ficámos com a sensação de que o Vodafone Mexefest comparativamente ao ano passado não foi tão bom. Se compararmos a emoção do público que os concertos no Coliseu na edição do ano passado com Woodkid e Daughter proporcionaram à emoção de St. Vincent ou Wild Beasts, os nomes não foram mais pequenos mas havia uma menor cumplicidade entre as bandas e os festivaleiros. Podíamos pensar que seria complicado manter o nível da edição de 2014, mas a verdade é que há efetivamente muitos novos artistas a emergir no panorama da música internacional, que nos poriam todo e qualquer pelo do braço em pé.

Para o ano, lá estaremos de novo!

18/08/2014

Review: FUSING Culture Experience 2014 - Dia 16 de Agosto

O último dia do festival da Figueira da Foz contou com grandes actuações, variadas actividades para o dia da despedida, dominado pelo ambiente familiar vivido nos três dias do Fusing.

A abertura do palco Experience contou com o "concurso" Da Garagem para o Palco, que contou com pequenas actuações de bandas novas dos mais variados géneros desde ao rock ao mais alternativo, este início contou não só com variedade como com o talento que anda a fervilhar na música! 

Ainda no palco Experience, com uma paisagem arrebatadora, Orlando Santos trouxe o reggae e melodias mais exóticas para a despedida desta festa em que a música lusófona era o centro.
Com uma banda de mais três elementos, a magia criou-se neste palco, com os ritmos mais quentes a dominarem o final de tarde, com pessoas descontraídas a saborearem as suas melodias.


Fachada é um dos cantautores mais particulares da música em Portugal e, como já se esperava, surpreendeu pelo à vontade e imenso humor e nem o atribulado começo difícultou a sua exibição - ultrapassado pela sua capacidade de improviso (que o FYMS registou), com melodias simpáticas indicadas para o fim de tarde e letras reveladoras, e, muitas vezes, auto-críticas, humoristicas e simples. 
Com a preocupação posta nos ávidos fãs, que assistiam ao concerto, Fachada acedeu ao pedido de tocar uma música , encantando a audiência que se dirigiu ao Fusing no seu ultimo dia.

Num estilo mais particular, When The Angels Breath construíram uma áurea ambiental e vivida à flor da pele, atraindo vários curiosos ao palco secundário.
Envoltos num mistério e transcendência instrumental ninguém ficou indiferente aos "cantos dos anjos" protagonizados pelos variados membros que se apresentaram nesta performance.
Uma banda a estar atento pela sua qualidade!

Dead Combo são um duo, que se faz acompanhar por um terceiro elemento em palco, definido pela sua sonoridade muito lisboeta - como se pode ouvir nas suas actuações ao vivo em que se reconhece elementos típicos dos bairros da capital, misturando géneros, instrumentos e sons muito distintos mas que, no fim, se tornam na definição do duo.
O cenário imponente que complementou as melodias sensuais e quentes, ouvir Dead Combo foi o culminar de uma noite repleta de óptimas actuações.

A grande surpresa desta noite - e, provavelmente, do festival Fusing - foi a nova princesa da música Portuguesa, a Sequin, que nos encantou com a beleza (inesperada) da sua voz madura e extraordinariamente mística, à sua simpatia e modéstia, e principalmente, a sua energia e canções com batidas fortes, com beats inteligentes e cativantes, que não deixam ninguém indiferente ao bom que vem do "mini disco" da Sequin, o doce Penélope, deixando-nos enfeitiçados pela sua bonita áurea que imana da sua música.

The Legendary Tigerman foi o grande revolucionário da noite, embalado pelo espírito blues que lhe é característico, teve a capacidade de aproximar os fãs a uma experiência mais próxima do palco - ao sugerir à organização a remoção das barreiras que separavam assim o público do fosso.
Um momento delicioso, celebrado por profissionais e pelos fãs, banhado com boa música, covers, muito talento e até duelos entre guitarra e saxofone, este foi um concerto celebrado por muitos como um dos grandes concertos desta edição, onde The Legendary Tigerman reafirmou o talento, a sua música e a rebeldia que lhe é característica!

Que os PAUS são grandes já se sabia... Acalentados pela (bonita) iniciativa do The Legendary Tigerman, puseram fãs junto ao palco e brindaram-nos com um concerto cheio de energia, humor e capacidade interpretativa.
Concentrados nas melodias e com letras mais dispersas, os PAUS dispostos harmoniosamente no palco, interagiram continuamente com a audiência rendida aos encantos dos rapazes de Lisboa, que por si só particulares, saudaram a música Portuguesa contemporânea com talento e muita energia.

Em retrospectiva, o Fusing que afirma ser um festival diferente e conseguiu - juntando-se à arte, gastronomia e desporto, para além de celebrar a música portuguesa.
Um festival com grandes perspectivas futuras, com um cartaz delicioso que nos conquista pela qualidade inqualificável dos artistas nacionais! Venham mais FUSING!


Post by FYMS.

16/08/2014

Review: FUSING Culture Experience 2014 - Dia 15 de Agosto

O segundo dia do Fusing prometia uma noite apelativa para todas as idades, que se verificou ao longo do evento com vários casais, famílias com crianças e grupos de amigos que se dirigiram ao festival mais versátil do momento, que inclui artistas dos mais variados géneros divididos ao longo dos palcos que se multiplicam pelo recinto.

O FYMS acompanhou o crescimento dos Salto. A sua música cresceu e a sua melodia tornou-se mais experimental - coisas que não alteram a centralidade da sua música - a celebração de um momento, como este concerto, que permitiu alturas incríveis de improvisação e com direito à companhia de Francisco Ferreira, dos Capitão Fausto.
Num dia que se adivinhava festivo, porque "o Luis faz anos", a festa celebrou-se com dança, alegria e até crowdsurfing (do Luis, claro!)

Norton mostraram ser uma banda com sensibilidade para o pop, suportados pela simplicidade das guitarras e sons mais característicos.
Os diversos membros que compõem a banda tornam-se elementos chave para a construção musical e definidora dos Norton, em que cada instrumento vai ter um papel importante no produto final, com músicas muito familiares e que nos toca pela facilidade com que se ouve.

Uma lufada de ar fresco pela sua diferença e talento, os Nice Weather For Ducks actuaram no palco Experience com direito a balões e uma postura interessante que veio a reflectir na sua performance.
Os diversos elementos revelaram-se fundamentais para a implementação da festa vivida no palco Experience deste festival.
Com um som mais dançável e solarengo, várias foram as pessoas que se renderam e dançaram ao som das canções destes jovens.

Peixe:avião chegaram e conquistaram o palco com sons pujantes e melodias espaciais, que nos transportaram para uma experiência única, quase mística, rodeados de sintetizadores, guitarras e forte bateria e bonitos jogos de luzes.
A beleza com as letras se misturam com as composições musicais e nos conquistam pouco a pouco, levando-nos a concluir que a música está bem e recomenda-se!

Os cincos elementos d'A Velha Mecânica apresentaram um género ainda não explorado nestes dias de Fusing, mas que revelou ser um pouco deslocado do restante cartaz apresentado.
Com um som mais pesado e roqueiro, a banda instrumentalmente mostrou ser não só competente como até cativante, no entanto, a parte vocal pecou, mas que revelou, ao mesmo tempo, ser um elemento definidor dos jovens rapazes. Algo a trabalhar? Só o futuro dirá!

Cícero é um dos artistas brasileiros a participar no festival da Figueira da Foz. Com o calor tropical na voz e acompanhado por músicos portugueses, e a esbanjar simpatia desde o primeiro minuto, trouxe-nos a simplicidade da música misturada com a beleza das letras que se revelaram verdadeiras poesias sobre a vida, (des)amores e a sua essência - característica muito vincada nos brasileiros.
Momentos inesperadamente íntimos e aconchegantes, elevado pela inteligente exploração dos diversos instrumentos, e que, sem nos darmos conta, nos toca a alma pela pureza e poder da musicalidade de Cícero.

Ao contrário d'A Velha Mecânica, Miura - ainda que desfazados do restante cartaz - deram um dos concertos mais poderosos desta edição.
Com uma presença vocal incrível, complementado por instrumentos inteligentemente colocados e trabalhados, mostrando ser uma banda madura, não só musicalmente como liricamente - com letras que soavam a verdadeiras poesias. Miura conseguiram captar a atenção dos mais diferentes festivaleiros que não ficaram indiferentes à sua música.

Capitão Fausto eram uma das bandas mais aguardadas da noite, e foi sem surpresa que arrastaram as mais distintas pessoas, para o espectáculo que se revelou exímio.
Conscientes do seu talento e capacidade interpretativa, os Capitão Fausto foram os senhores da noite ao implementarem não só o seu lado mais psicadélico, bem como, o lado mais descontraído da banda como se pode ver com os momentos de improvisação, com direito à presença de Luís Montenegro - dos Salto - para um inspirador momento brindado pelo talento e amizade que une os membros das duas bandas.
Foi, sem dúvida, um dos maiores concertos do Fusing e só veio a confirmar porque são considerados uma das grandes bandas do panorama actual da música em Portugal.



Hoje é o fim do Fusing que vai contar com grandes nomes. Não percas!

15/08/2014

Review: FUSING Culture Experience 2014 - Dia 14 de Agosto

O FUSING Culture Experience conta com a sua segunda edição e é um festival que visa celebrar o bom que se faz na música em Portugal.
O dia 14 de Agosto é o primeiro de três dias dedicados à música, à cultura, arte, gastronomia e desporto!
O dia começou tímido, mas nem o vento afastou os diversos curiosos que se dirigiram à Figueira da Foz para vivenciar o bom que existe em Portugal.

Noiserv abriu as hostilidades do FUSING com direito a um pôr-do-sol que provou ser o cenário ideal para o começo do festival.
Este multi-instrumentalista, com uma voz envolvente e uma presença tímida, e tendência a utilizar objectos impensáveis, eque se tornam na sua essência, mostrou ser um artista muito versátil.
O facto de ser o único em palco, e devido à complexidade e intensidade das suas composições, torna absolutamente deliciosa a experiência de vê-lo construir a música à nossa frente. Um momento bonito!

For Pete Sake são uma das bandas revelação do Fusing, com um conjunto de vozes muito caloroso, que nos levam a uma experiência muito folk.
A música desta banda revela uma construção musical muito interessante e que apela à atenção das pessoas que se envolveram neste concerto, transportando-nos para momentos muito particulares.
Tiveram a capacidade de encher o palco com uma energia contagiante e de salientar, igualmente, as sonoridades místicas que nos levam a envolver intimamente com os For Pete Sake.

Os jovens First Breath After Coma têm um som muito característico e delineador, lembrando artistas como os Vampire Weekend, pela sua simplicidade mas bastante sofisticada, levando-nos a querer ouvir mais sobre eles.
As músicas intensificam-se, com crescendos inteligentes e fortes, que mostram que a música em Portugal se encontra de boa saúde!

Capicua é uma senhora, a forma bonita como introduz as suas musicas e o orgulho com que fala nas mulheres, como em "mão pesada", é um verdadeiro elogio.
Uma força que emana do palco principal e que enche todo o recinto, não deixando ninguém indiferente às suas críticas e temas mais variados.
Rimas, ritmos e batidas são palavras inevitavelmente associadas à Intensa Capicua que revolucion não só a música portuguesa como vem provar que o mundo do rap (já) não é só para os homens.
Esta sereia até pode ser louca mas talento e presença é algo que não lhe falta.

Os You Can't Win, Charlie Brown são a banda coqueluche da música portuguesa e foram uma das bandas que atraiu mais pessoas ao palco principal neste primeiro dia.
De louvar, o "super herói" João Gil que voou do Festival Bons Sons, a acontecer em simultâneo em Tomar, após dois concertos para se juntar à sua banda.
Com a sua característica nostalgia e a sua imensa energia, ritmos e brincadeiras, os You Can't Win, Charlie Brown aqueceram o início de madrugada. Com um concerto sólido e momentos bonitos, a banda consolidou todas as opiniões que já tínhamos sobre eles.

Slow Magic foi uma verdadeira surpresa. Apresentando-se apenas com um portátil, uma espécie de tambor e uma máscara interactiva foi o suficiente para arrastar vários curiosos que não ficaram indiferentes ao misticismo e estranheza da performance, sem deixar de ser incrível.
Com a coragem de se mostrar sozinho em palco, rodeado de samples e bons momentos, Slow Magic merece toda a nossa atenção.




A aventura continua...

14/07/2014

Review: NOS/Optimus Alive 2014 - Dia 12 de Julho

Num dia mais interessante, longe dos cabeça-de-cartaz The Libertines, o dia foi marcado por belas surpresas.

You Can't Win, Charlie Brown abriram as honras no palco principal, e que bom presságio para a noite que se adivinha.
Cheios de energia e simpatia, os YCWCB são o espelho da boa música que se faz em Portugal.
Deambulando entre as músicas dos seus dois discos, com direito a um bonito cover de Heroin dos Velvet Underground, a banda mostrou-nos que a complexidade dos seus elementos tornam cada música, numa experiência merecida de ser vivida - e, isso, reflecte na forma como se apresentaram e como gracejam.
É uma beleza ter uma banda deste calibre que, pouco a pouco, se estão a tornar numa das bandas mais emblemáticas do panorama musical.

The Black Mamba são uma simpatia e encarnam a beleza de blues, soul e funk e, principalmente, mostram a boa (e variada) música que se faz em Portugal. A banda encarna uma tradição longínqua e, com um toque particular, representam - e bem - outras origens e sentimentos. "Are you here?" foi o mote diversas vezes lançado ao público que timidamente se juntava.
Bonito de se ouvir!

No palco secundário, The War On Drugs foram uma doçura, daqueles concertos ao entardecer que sabem bem a todas as pessoas.
Emblemáticos, a banda conseguiu atrair um público vasto que se influencia algures entre os anos 80 e um pop electrónico mais moderno. Num misto de influências, The War On Drugs acabam por se tornar muito próprios e transformar a sua música em bons momentos.
Sem nunca desiludir, a banda conseguiu um concerto sólido, animado e interessante - ainda que com alguns percalços - mostrou porque é uma das bandas mais interessantes da actualidade.

Vários eram os fãs de Bastille que lutavam para um lugar bem próximo do palco principal.
É inegável a sua energia e surpreende que com apenas um disco no repertório tenham arrastado tantas pessoas ansiosas de os ver, entre ovações e admiráveis declarações de amor.
Não é por menos... entre sintetizadores e ritmos mais agitados, os Bastille mostraram que são uma banda consciente com um pop melodioso e que deixou um simpático sentimento no ar.

Foster The People mostraram porque são uma das bandas mais aceites em terras lusas.
Com uma energia explosiva, ritmos cativantes e refrões memoráveis, Foster The People são uma das mais bonitas encarnações do pop moderno.
Do mais melancólico a um sentimento mais festivo, a banda de Mark Foster (semblante de Alex Turner à vista...) justificou a devoção e ansiedade dos fãs que se deslocaram ao recinto para os ver.
Num ambiente que soava a uma simpática companhia, não surpreenderam mas estiveram muito longe de dar um mau concerto. Soube a pouco.

Daughter foi a revelação do dia e, provavelmente, do festival.
No palco secundário, que pareceu demasiado pequeno para o fluxo de pessoas que se deslocou propositadamente para ver a banda liderada por Elena Tonra, que pecou pelo conflito de sons que vinham do palco principal com os cabeça-de-cartaz The Libertines.
Quem já os tinha visto no Vodafone Mexefest notou uma clara evolução na banda.
E, ao contrário do que se devia esperar, apesar da melancolia dos seus sons misturados pela doçura da voz de Elena, os Daughter mostraram-se merecedores da devoção dos fãs e principalmente, mostraram ser um fenómeno em crescimento.

A pergunta de início era "Mas porquê no Heineken e não no Clubbing?" a pergunta foi imediatamente respondida com a quantidade de pessoas que se iriam juntar a Chet Faker.
Se muitas eram as pessoas que assistiram ao concerto dos Daughter, mais foram as que escutaram as melodias tão características do músico australiano.
A tenda do Palco Heineken não era suficiente. Havia pessoas sentadas por todo o chão que rodeava o palco. No fim, terminando com"Talk is Cheap", a opinião era unanime: aquele teria sido um enorme concerto, superando as expectativas daqueles que não o conheciam e superando as daqueles que já conheciam o seu trabalho.

Ainda que com alguma controvérsia relativamente a alguns nomes presentes no cartaz, 150 mil pessoas não podem estar enganadas. Foi mais uma grande edição deste festival que já se tornou um hábito para tantos portugueses e estrangeiros.
Quanto a nós, ficamos a aguardar ansiosamente por mais uma edição que já tem datas para 2015 - 9, 10 e 11 de Julho.

13/07/2014

Review: NOS/Optimus Alive 2014 - Dia 11 de Julho

Num dia mais variado, o ambiente (menos exaustivo) do festival tornou a experiência mais agradável... Entre danças mais intensas e momentos mais relaxados, o segundo dia do NOS/Optimus Alive tem muito que contar.

No palco principal, MGMT foram uma surpresa. Todos conhecem o seu hit Kids - no entanto, a banda fizeram um bom trabalho ao arrastarem uma multidão de pessoas que dançou ao som dos criativos e energéticos MGMT, aliados ao psicadelismo dos efeitos visuais.
Ultrapassando as expectativas, a banda transmitiu a sua energia positiva directamente para uma audiência que, claramente, estava lá para os cabeça-de-cartaz do dia, e que foi conquistada pela vivacidade destes jovens.

Sam Smith é o novo menino da música britânica - e a verdadeira surpresa da noite, no palco Heineken, o artista foi recebido com euforia e surpreendeu...
Entre o hit Money on my mind, Latch com os Disclosure e La La La com Naughty Boy, e um bonito cover de Arctic Monkeys.
Smith mostrou que os seus tenros 22 anos, não o impedem de ser um artista de mão cheia, inteligente e interessante, deixando a (doce) esperança de um regresso muito em breve.

De regresso ao palco principal, The Black Keys, os cabeça-de-cartaz, ficaram aquém.
O certo é que não sabem fazer maus concertos: são bons e tem talento, isso é inegável. Mas a performance no NOS Alive não surpreendeu.
Faltaram momentos chave, uma banda que pecou por falta de momentos mais certeiros, no entanto, foi bonito ver milhares de pessoas em peso a cantar The Lonely Boy e a dançar ao som de The Black Keys.
Foi bom mas... falhou ao não surpreender!

E para quem os The Black Keys não estavam a corresponder às expectativas, houve a hipótese de ouvir os portugueses We Trust no palco Heineken.
Pela segunda vez no Optimus Alive, interação não lhes faltou, ainda que pelo início poucas eram as pessoas que tinham apostado naquele palco. Há medida que o número de pessoas ia aumentando também os agradecimentos do vocalista chegavam em maior força (talvez nunca pensassem ter tanto público com a competição que lhes fazia frente no palco NOS). Foi um bom concerto, os We Trust são uma banda que enche o palco, não tanto pela quantidade de membros, mas pelos sons variados que compõe as suas canções. Talvez merecessem mais do que um concerto à hora dos cabeças de cartaz.

Quem os conhece, sabe que Buraka Som Sistema são intensos ao vivo.
Num concerto especial, com a apresentação do seu mais recente Buraka, a banda conquistou as pessoas que dançaram ao som de ritmos quentes e de "música do mundo" - e comandados pela Blaya (quem não o faria?)
Entre efeitos visuais muito interessantes, danças e muito ritmo, os Buraka Som Sistema mostram porque são uma das melhores bandas em Portugal e porque já têm um lugar ao sol a nível internacional - não é por falta de trabalho, esforço e empenho, mas sim, porque são inteligentes e sabem bem o que fazem.
E, por isso, eles são muito bom - dão o que as pessoas querem e não deixam de surpreender!

Os BSS faziam as pessoas dançar no NOS mas nem por isso não havia animação no Heineken com as Au Revoir Simone. Subiram ao palco, começaram a tocar, a dançar e o povo seguiu-as. Poder-se-ia esperar alguma timidez numa banda composta por 3 aparentes "meninas", mas não, acabariam por se revelar umas mulheres em palco (e não foi preciso muito tempo!).

11/07/2014

Review: NOS/Optimus Alive 2014 - Dia 10 de Julho

O ano de 2014, é o ano de transição - Optimus Alive vai passar a ser NOS Alive que, já este ano, conta com algumas alterações - um recinto diferente dos anos anteriores, com um aspecto mais proveitoso, atractivo e simples, aliados à cor do (novo) patrocinador do Festival. Muda o nome, muda o aspecto e, neste caso, ainda bem!
Admito... Ouvi mais inglês e espanhol, no recinto, do que português, o que mostra a multiplicidade de nacionalidades deste festival e da sua visibilidade internacional, cada vez mais forte (caso contrário, para quê tanto anúncio do NME ou Heineken, nos intervalos?)

Falando do que realmente importa...

Noiserv é sempre um gosto ouvir, a sua pureza e mistificação tornam o concerto deste "one-man-show" algo extraordinário, que teve as honras de ser dos primeiros artistas a inaugurar a edição deste ano.
O ambiente, ainda longe de mostrar as milhares de pessoas que se deslocariam ao festival, mostrou-se propício à simpatia deste músico.

Temples foram uma surpresa - com um espírito e atitude muito próprias conquistaram o público que se deslocou ao palco secundário e foi surpreendido por uma atitude muito 80's e, sem dúvida, muitas pessoas saíram fãs destes jovens.

Já, no palco principal, The Lumineers deram o ar da sua graça e, num pôr-do-sol que pareceu enquadrar-se com o folk e simplicidade desta banda norte-americana, muitos foram arrebatados pela simpatia e sonoridades mais calmas da banda. Há uma sensação bonita de renovação após este concerto.

Imagine Dragons mostraram-se fiéis ao que apresentaram, o ano passado, na sua primeira passagem por Portugal.
Energéticos, tiveram a capacidade de conquistar um público que não estava lá para os ver (tarefa um pouco ingrata) mas não descuraram um segundo da sua alegria, energia e música - tornando-se claro ao ver milhares de pessoas cantarem os seus principais hits. Não surpreendeu mas foi bonito 
e deixou os verdadeiros fãs a aguardar um novo regresso, novamente a solo, com novas músicas na bagagem.

Interpol foi dos concertos mais bonitos (e ingratos). Uma banda com mais de uma década de existência viu-se perante um público que mal os conhecia. Não deixaram de fazer um óptimo concerto, com a competência e credibilidade que lhes é devida, e merecedores de uma maior atenção.

Talvez se o palco Heineken estivesse mais composto o concerto de Kelis tivesse sido mais empolgante. Afinal, era complicado competir, precisamente à mesma hora, com os Arctic Monkeys. No entanto, a Kelis brindou os poucos ouvintes que se deslocaram ao Palco Heineken com a sua voz rouca mas (algo) poderosa. Não foi um concerto marcante mas uma boa alternativa a quem os cabeças de cartaz não interessavam.

Arctic Monkeys foram os reis e senhores da noite - a banda mais esperada deste dia (e, provavelmente, desta edição) mostraram porque são uma das bandas de culto, actualmente.
É evidente a evolução sonora da banda, havendo, uma harmonia entre os primeiros discos e este último AM.
Banhados em energia, "sexappeal" e graciosidade, os Arctic Monkeys deram o seu tudo e envolveram um público, demasiado, ansioso para os ver.
Foi um concerto interessante, místico e estranhamento íntimo - com Alex Turner a fazer suspirar os corações no recinto. 
Entre dedicações de amor e provocações óbvias como "Are you mine, Lisbon?"
O certo é que deram o concerto da noite e provaram porque são os actuais meninos queridos da música.
 
Assim que o concerto dos Arctic Monkeys terminou os milhares que esgotaram o primeiro dia do (agora) NOS Alive começaram a dispersar quer para casa, para o palco Heinken onde tocavam os Parov Stelar Band quer para o palco Clubbing onde iria tocar o Jamie XX.
Depois de terem tocado ao longo da tarde e da noite vários dos seus "amigos", chegou a vez do "criador" do primeiro dia do Palco Clubbing subir ao palco. Assim que o fez arrancou as pessoas do chão e alguns aplausos e conquistou o seu público (e o público dos The XX) ao tocar a Sunset (do album Coexist dos The XX) e logo de seguida Far Nearer.

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