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17/04/2015

Review: ††† [Crosses] "†††" (2014)

Quem ouve Crosses à espera de ouvir Deftones, bem pode tirar essa ideia...

††† (Crosses)
†††
Fev 11, 2014
Crosses são uma banda composta por Chico Moreno, Shaun Lopez e Chuck Doom, em 2011.
Com dois EPs na manga e um disco, ††† (lê-se Crosses), a banda mostra-se além do esperado.

A essência do disco é muito simples, definindo-se como "minimal and soothing". O estilo deste disco é, muitas vezes, referido como witch house - numa alusão à imagem dark, com um simbolismo considerado "obscuro" e, especialmente, por todas as canções e até o nome da banda estar graficamente representado com uma cruz "†".
Mas, isso não influenciou, de todo, a altura em que decidimos ouvir este trabalho.


Descobri a banda sem querer, numa deambulação nocturna pelo meio online, e foi uma bonita surpresa. Isto aconteceu pouco depois de terem lançado o seu primeiro EP, em 2011.
Quando lançaram o primeiro disco (digo primeiro na esperança de existirem mais no percurso) fiquei favoravelmente surpreendida.
††† é um disco que nos (pre)enche, que surpreende por ser arrebatador e inesperado. É um disco bonito, que merece ser vivido, nas mais diversas ocasiões.
A primeira impressão é que este trabalho é muito electrónico, pesado mas simples. Essa sensação não passa, aliás reafirma-se à medida que se ouve o trabalho uma e outra vez. Até que se entrenha. 

As texturas que se misturam neste disco, pelas várias influências vindas dos seus membros, trazem uma sonoridade intensa. Crosses fizeram um trabalho brilhante em envolver o ouvinte na sua melodia, no seu ritmo vincado por pesadas batidas e vozes melodramáticas, ríspidas e claras - camufladas pelas várias densidades a que Chico Moreno já nos habituou - vão alimentar a ideia dreamy que nasce, inevitavelmente, à volta do disco. Numa mistura de pop experimental, electrónica e toques de rock - este é, sem dúvida, um trabalho eclético e reflecte as várias facetas da banda.

Falar deste (incrível) †††  torna-se num exercício complicado pela sua densidade, qualidade e simplicidade das letras - que vai reforçar o poder dos instrumentais e, assim, ganhar maior responsabilidade na apresentação do disco.


31/12/2014

Retrospectiva de 2014 em discos

Num ano complexo, a música viveu um dos seus melhores momentos com novos e talentosos artistas, o regresso de velhas glórias e, principalmente, a publicação de grandes e bons discos!

Numa reflexão injusta, aqui ficam os meus discos mais ouvidos!

You Can't Win, Charlie Brown
Diffraction/Refraction

Jan 20, 2014

Review aqui.
A 18 de Janeiro de 2014 previ que Diffraction/Refraction seria um dos discos que não iria conseguir parar de ouvir. Quase um ano depois é frequente regressar ao disco que alegrou o meu ano. 
Tive oportunidade de ver a representação deste trabalho ao vivo por várias vezes (e quando digo várias, digo, pelo menos, umas 5 vezes!) e cada actuação dos You Can't Win, Charlie Brown tornava este álbum cada vez melhor e apetecível.
A verdadeira demonstração de quão boa está a música Portuguesa. Basta ouvirem este disco!

Buraka Som Sistema
Buraka
Jun 23, 2014
Review aqui.

Surpreendentemente, Buraka Som Sistema fizeram parte da minha banda sonora de 2014. 
Também tive a sorte de os conseguir ver algumas vezes e é óptimo ver uma banda tão diferente, tão interessante e tão talentosa no nosso panorama.
Em Junho, escrevi "É um disco que explode energia, boas vibrações e muita vontade de dançar. Buraka incentiva à festa, à celebração num misto de línguas, géneros e culturas.", depois destes últimos meses agarrada ao disco, verifico que é um disco que merece ser ouvido e, acima de tudo, celebrado!
Que mais artistas arrisquem como os Buraka Som Sistema.


Jack White
Lazaretto
Jun 10, 2014

Review aqui.
Jack White nunca desilude. Num registo muito semelhante ao seu primeiro disco, White volta a mostrar porque é considerado um dos guitarristas/produtores mais ecléticos da sua geração.
Num disco mais negro e intenso, Lazaretto acabou por não ter a devida (e merecida) aceitação dos críticos, tendo passado despercebido um excelente disco.
No entanto, este disco foi uma grande companhia em viagens diárias e momentos de lazer. Um disco que para além de ser um excelente momento musical, é uma excelente companhia.

Gerard Way
Hesitant Alien
Set 30, 2014
Foi num misto de alegria, excitação e receio que recebi a notícia de que o (meu querido) Gerard Way iria lançar um disco a solo, após o fim (inesperado) dos My Chemical Romance.
Ainda em mente com um Gerard dark, com maquilhagem exagerada e actuações teatrais, foi com grande satisfação que ouvi este Hesitant Alien - um disco muito virado para o estilo brit pop, com algumas nuances rock e que mostraram que este Gerard Way consegue continuar a surpreender e, principalmente, mexer com o panorama musical.
Outro disco que acabou ofuscado das elites, Hesitant Alien é um delicioso disco que merece ser absorvido pelos fãs de synthpop ou uma espécie de rock menos puro. Estranho? Mais vale ouvir e apreciar este disco imperfeito.

Obviamente, muitos outros discos e músicas fizeram parte da minha banda sonora de 2014 que foi muito recheada de bons discos, especialmente de anos anteriores, que me levaram a ver a música contemporânea com outros olhos!
Assisti a grandes concertos, vivi grandes emoções e ouvi excelente música - muitos artistas emergiram, outros tantos foram (finalmente!) reconhecidos e ainda mais aparecerão nos próximos meses. E nós, como fãs e apreciadoras de música, cá estaremos para dar o melhor que se faz na música.

Bom 2015!

08/12/2014

Playlist Spotify - Dezembro/2014 - por FYMS Admins

Todos os meses, temos convidado músicos que conhecemos para criarem uma playlist pra vocês. Mas então e nós? "Dezembro a playlist é nossa" foi assim que pedi à Patrícia. Dito e feito. A playlist do FYMS no Spotify do mês de Dezembro foi inteiramente construída por nós a pensar na espectacularidade de novos sons que foram sendo lançados ao longo destes doze meses. Certamente que nos escaparam alguns nomes, podemos até vir a actualizar esta lista, mas esta é a lista de artistas e músicas que marcaram o nosso 2014.

Ana & Patrícia

Da nossa lista fazem parte nomes já muito conhecidos como Maroon 5, Coldplay, Avicii, outros não tão conhecidos como Alo Wala ou Kongos, bandas que passaram por cá este ano como Chet Faker, Artic Monkeys, Sam Smith, e invariavelmente os nomes que elevaram a música portuguesa a um outro nível tais como Buraka Som Sistema, Capicua, Noiserv ou You Can't Win, Charlie Brown.

A playlist fica em baixo (link aqui):


Aproveitamos para desejar a todos os que nos seguem e nos inspiram um excelente Natal.

01/12/2014

Entrevista // Brass Wires Orchestra

Há umas semanas, o FYMS trocou uns palavras com os Brass Wires Orchestra que andaram nas bocas da música com um disco fabuloso que conquistou as críticas e reforçou laços com o público.

FYMS: São constantes as comparações com bandas como Beirut ou Mumford & Sons. Como é que vocês se definem?
Nós não temos uma definição exacta, neste trabalho explorámos mais os ambientes acústicos que o folk tem para oferecer, tentando sempre dar-lhe um cunho BWO. Portanto neste sentido acho que a categoria de folk acaba por ser uma das nossas definições, talvez a mais próxima e abrangente.

FYMS: Como é gerir as ideias e composições de oito músicos?
O nosso processo criativo, apesar do que se possa pensar, é bastante fluído e unânime. A base é trabalhada em casa pelo Miguel, que depois, juntamente com os restantes, se encarregam de compor os arranjos que vestem os temas.

FYMS: Em 2012, tiveram oportunidade de actuar no “Hard Rock Calling”, em Londres. Vêem a experiência como a vossa “rampa de lançamento”?
O Hard Rock Calling foi sobretudo uma experiência de enriquecimento pessoal, mais do que para a banda em si. O trabalho não nos foi facilitado daí para a frente, mas foi sem dúvida um momento marcante para todos.

FYMS: Já actuaram em festivais como Paredes de Coura e Optimus Alive (agora, NOS Alive). Como é a reacção das pessoas à vossa música?
Todos os festivais têm públicos diferentes. Apesar disso devo dizer que em todos os festivais onde tocámos fomos sempre extremamente acarinhados pelo público. Sentimos que a nossa música é bastante transversal nesse sentido.

FYMS: A internacionalização da banda é um objectivo para vocês?
A internacionalização é sem dúvida um objectivo presente nas nossas ambições futuras. Acreditamos que temos capacidade para isso, agora falta estruturas que o permitam.

FYMS: “Cornerstone” é o nome escolhido para o vosso primeiro disco. Falem-nos um pouco sobre a história por trás do álbum...
O álbum no fundo é um apanhado da nossa génese como banda. É um cigarro de enrolar sem filtro, ou seja, os primeiros dez temas a serem escritos foram os que entraram no disco. E é nessa ingenuidade que reside a grande força deste trabalho.

FYMS: O vosso disco de estreia tem o selo da Antena 3. Consideram que este tipo de apoios são importantes para o desenvolvimento das bandas?
Sem dúvida, a Antena 3 e sua excelente equipa fazem muito pelas novas bandas deste país. Cantem elas em inglês, português ou chinês. Temos muita gratidão por iniciativas desse género.

FYMS: A masterização teve mão de Frank Arkwright, dos Abbey Road Studios. Como surge a hipótese de terem o vosso trabalho associado a um estúdio, que preenche o imaginário de qualquer músico?

Foi uma questão de marcar hora.

FYMS: Quais são as vossas principais expectativas para este primeiro disco?

A nossa maior expectativa é chegar ao maior número de pessoas possível. Divulgar o nosso trabalho para que com isso tenhamos meios para trabalhar em próximos discos.

FYMS: O vosso disco está disponível vários formatos, incluindo em streaming no Spotify. Como vêem a utilização deste tipo de plataformas na vossa música?
Acho importante pela abrangência que nos confere.

FYMS: O que acham da música Portuguesa?
A música em Portugal tem vindo a evoluir bastante no panorama indie.

Vão surgindo projectos muito interessantes.

FYMS: Quais são os próximos passos?
Divulgação.

FYMS: Perguntas da praxe:
a) Um dia... dois dias, três dias...
b) O melhor que podem dizer sobre nós... a vossa música mudou a minha vida.
c) O pior que podem dizer sobre nós... que comparações com Mumford e Beirut são inevitáveis.
d) Daqui a 10 anos... vamos ser mais velhos.

FYMS: O que diriam aos leitores do FYMS?
Obrigado por lerem. Esperamos ver-vos em breve.
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