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19/06/2015

Beirut de volta às lides com "No No No"

Beirut são um alternativo muito próprio e estão de volta aos ritmos que lhes são distintos, com o single, No No No.

A banda liderada por Zach Condon marcou o dia 11 de Setembro para o lançamento do seu novo disco, com o mesmo título do single de avanço - quatro anos após o último trabalho -, sob a alçada da 4AD Records.

Vídeo produzido por Brother Willis

À música junta-se um vídeo que complementa a vivacidade tão característica de Beirut e, curiosamente, intrínseca no seu perfil idealizado em finais de tarde solarengos, cobertos pelas sonoridades melódias e a voz suave de Condon.

Um single que vai marcar as tardes quentes de Verão!

13/04/2015

Benjamin deixa Walter e regressa com "Os Teus Passos"

Benjamin já não é Walter. Voltou de Londres para o coração do Alentejo, no Verão de 2013.
Em Dezembro de 2014 fez a despedida de Walter, rodeado de amigos.

Esta mudança veio revolucionar a sua maneira de olhar para o mundo, reforçado pela necessidade de voltar a escrever na sua língua. Foi na vila de Alvito que o compositor construiu um estúdio e começou a criar as canções que compõem agora o seu novo disco (em português) Auto Rádio.
Um disco que reflecte o seu universo, as pessoas do seu dia-a-dia e sem barreiras linguísticas - onde fala tanto de "memórias remotas do Portugal colonial" como de "Portugal, do Porto, que lhe vem do lado mãe, da crise, do amor" ou simplesmente "de carros a acelerar pela marginal de uma qualquer cidade à beira do Atlântico".

Assim, Auto Rádio é um disco pensado para que as pessoas "o consigam compreender", com histórias do mundo, uma língua familiar mas é, sobretudo, "um disco em busca de uma identidade que o norte da Europa tornara difusa".

Benjamin reinventou-se e lançou, recentemente, o seu primeiro single Os Teus Passos.


O disco tem data prevista de lançamento em Setembro.

07/12/2014

Isaura - Useless

Isaura Santos apresentou-se ao Mundo como Isaura há precisamente uma semana.
Para os mais atentos, esta não foi certamente a primeira vez que a ouviram. Na última edição da Operação Triunfo foi uma das finalistas, onde deixou um pouco do véu descoberto do que poderia trazer ao mundo da música.

Agora, mais madura, mais segura e certamente mais adulta musicalmente, dá-se a conhecer como Isaura sendo Useless o seu primeiro single, co-produzido pelo Raez e Cut Slack.
A sua música é um mix, como ela própria define, entre a simplicidade dos sons produzidos e da complexidade das letras que escreve.
Useless começa com uma guitarra naife que acaba por nos transportar para os anos 80. As letras fazem desta música algo bastante pessoal, com a qual nos podemos facilmente identificar. Um livro aberto, um coração aberto, é assim que a Isaura decide começar.

Useless é a primeira verdadeira amostra do que a Isaura poderá fazer e 2015 será certamente o ano em que lançará novas músicas. Ficamos à espera!

19/10/2014

Review: Tove Lo "Queen of the Clouds" (2014)

Tove Lo é uma jovem sueca de 26 anos que, no passado mês de Setembro, publicou o seu primeiro LP Queen of the Clouds.

Tove Lo
Queen of the Clouds
Set 24, 2014
Se vivemos numa altura em que a música (sobre)vive do sucesso instantâneo, com batidas catchy e videos que chegam a roçar o ridiculamente mau, existem também aquelas músicas pop que vão crescendo aos poucos, demorando meses, até se tornarem verdadeiros (e merecidos) hits.

Tove Lo é uma das artistas que compõem os tais demorados mas merecidos hits.
A jovem sueca apresenta canções com temas escuros, sobrecarregados de melodrama e um romantismo obscuro que esconde um coração partido e sentimentos obsessivos, mascarados pela sua doce "voz-de-menina". E é precisamente esse contraste que nos vai dar um bonito efeito discordante e intenso, abrilhantado por simpáticas batidas electrificantes e que nos atrai misticamente para o seu mundo.

O disco Queen of the Clouds é um disco ríspido pela dureza dos temas que aborda, e que se vai dividir em três partes distintas - The Sex (sexo), The Love (amor) e The Pain (dor), cada uma com a sua introdução vocal, com as músicas do alinhamento a seguirem a temática em que se inserem, mas não deixa de ser colorido pela leveza com que aborda algumas canções, e vai nos provar que a música pop pode ser emocional, com direito a um sentido lírico e estético.

Pensado ao pormenor, Queen of the Clouds parece reflectir a viagem de uma relação falhada e suas várias fases.
É um disco agradável mas incrivelmente negro - revela-se uma boa companhia pelas batidas bonitas e instrumentais bonitos e energéticos, mas quando analisado ao pormenor, é um disco que realmente nos faz (re)viver a intensidade desses momentos.

Um disco que merece ser vivido.

14/10/2014

Review: Foxygen "... And Star Power" (2014)

Os Foxygen apresentam hoje o seu terceiro disco ... And Star Power.

Este disco vai revelar-se muito diferente do seu antecessor We Are The 21st Century Ambassadors of Peace & Magic.

Foxygen
... And Star Power
Oct 14, 2014
O duo de Los Angeles, liderado por Jonathan Rado e Sam France, após alguns momentos menos felizes do seu percurso, escreveu 24 músicas que viriam a culminar neste ... And Star Power. uma ode simpática ao improvável e à moda do rock experimental ressuscitado por Tame Impala.

Com toques fervorosos e psicadélicos dos anos 70, os Foxygen foram capazes de quebrar pré-conceitos e revolucionar a visão da sua própria música, com sons lunáticos e que nos aspiram a algo superior, uma experiência muito além deste álbum.

Estes 80 minutos de música que nos transporta para um mundo paralelo é salientado por uma das mais bonitas particularidades deste disco, que é o facto de estar dividido em quatro partes (com cinco secções) distintas: Side One, Part One: The Hits; Side One, Part two: Star Power Suite; Side Two: The Paranoid Side; Side Three: Scream - Journey Through Hell e Side Four: Hang on to Love - que vão, precisamente, definir quatro momentos musicais vividos ao longo do disco, e que vai deambular entre o dreamy-pop e bastante dançáveis, e o instrumental psicadélico, roçando (muitas vezes) o melancólico, com direitos a alturas mais experimentais.

Esta viagem leva-nos a uma luta interior - ao vivermos vários momentos diferentes, salientados por esta inteligente divisão por partes, dividindo-se constantemente entre paranóico, psicótico e a ideia da luta e revolta contra o momento de insegurança, onde só o amor vence!

Com uma voz melosamente dramática, com muitos e intensos momentos lunáticos, que até chega a ser adorável, este é, sem dúvida, outro dos pontos fortes do disco que nos vai transmitir precisamente a ideia de uns (novos) Pink Floyd - mais experimentais e modernos.

É verdade que Foxygen foram audazes e atrevidos, mas essa valentia compensou!

02/09/2014

Playlist Spotify: Setembro/2014 - por Mike Bek

Para quem acompanha o Mike Bek desde que este começou a interessar-se por música é notória a evolução deste artista. O Mike Bek é um dos Novos Talentos Fnac e o dia 10 de Julho marcou o lançamento do seu EP "Legacy".

O FYMS convidou-o para fazer a playlist Spotify do mês de Setembro.


Foto por Rita Bártolo

Numa mistura interessante de artistas portugueses e internacionais como Chet Faker, D'ALVA, Francis Dale ou Jack White, sem esquecer o seu projecto, o Mike Bek escolhe músicas versáteis, talvez desconhecidas para os mais distraídos, que vão animar o regresso ao trabalho e aos estudos de muitos dos que nos seguem.

Segue o link ou acompanha a playlist do Mike Bek abaixo.


04/08/2014

Playlist Spotify: Agosto/2014 - por Alex D'Alva Teixeira

Alex D'Alva Teixeira é metade do duo que tem vindo a conquistar críticos e público desde há uns meses para cá, após o lançamento do bem sucedido primeiro disco #batequebate.

O FYMS convidou-o para fazer a playlist Spotify do mês de Agosto.

Fotografia por Vera Marmelo

Numa mistura interessante de artistas portugueses e internacionais como Buraka Som Sistema, Capitão Fausto, Salto a Beyoncé, Toro y Moi ou Klaxons, sem esquecer o seu projecto D'ALVA, o Alex escolhe músicas versáteis que vão animar os próximos dias de Agosto.

Segue o link ou acompanha a playlist do Alex abaixo.


27/07/2014

Review: Kiesza "Hideaway EP" (2014)

Kiesza é um nome que merece ser memorizado.

A entoar um dos hits deste Verão, a jovem canadiana lançou este primeiro EP, transformando-se numa grande promessa na música pop contemporânea e num fenómeno merecido de ser relembrado.

Kiesza
Hideaway
Jul 7, 2014
Com quatro músicas, o EP Hideaway usa o nome da faixa de maior sucesso de Kiesza, e que inclui ainda Giant In My Heart, So Deep e What Is Love.

Com vinte e cinco anos e uma mão cheia de talento, Kiesza mostra que é capaz de mais do que um one-hit-wonder.
Adepta de simbólicos beats e batidas com ritmo, a sua voz melancólica contrasta com a energia da sua música!

Apesar de quatro músicas o EP não poderia ser mais representativo - seja numa música mais festiva ou numa balada como o cover da música What Is Love - ver aqui.
Com inspirações em música dos anos 90, em ritmos mais agitados ou beats crescentes com aspirações bizarras em James Blake e no post-dubstep.

Apesar de parecer encontrar-se numa fase exploratória, Kiesza não deixa de surpreender com a sua qualidade, versatilidade e inteligência no seu próprio pop.

08/07/2014

Optimus Alive - As escolhas da Ana




Esta é provavelmente a edição mais criticada do Optimus Alive (seja pelos nomes das bandas confirmadas seja pela demora do anúncio do 3º cabeça de cartaz) mas para mim a edição que mais anseio. Decidi há muito tempo comprar o passe de 3 dias e em nenhum momento pensei em fazê-lo por causa dos nomes principais, isto é, os cabeças de cartaz: Artic Monkeys, Black Keys e The Libertines.
Então o que é que me levou a gastar 105€ num festival?
Imagine Dragons, Daughter, SBTRKT, Caribou, Au Revoir Simone, Bastille e Foster The People.

Mas vamos às minhas escolhas pois num festival como o Alive há sempre um trabalho de casa feito nas semanas anteriores para aproveitar ao máximo as bandas que por lá passam.

Dia 10
(18:00 - Heineken) Ben Howard e Noiserv: Se como eu a tua hora de saída é depois das 18h e não marcaste férias para estes dias, dificilmente vais assistir aos concertos destes dois artistas. Diferentes mas bastante interessantes.  De um lado o folk britânico, do outro, mais um one man show made in no nosso Portugalinho. Vou correr para ver se apanho 2 ou 3 músicas do Ben, já que o trabalho do Noiserv, uma vez que é português, pode ser ouvido mais vezes.

(20:05 - Heineken) The 1975: Uma das bandas que acabei por descobrir nestas últimas semanas de t.p.c. Tenho pena de não ter mais tempo para ouvi-los mas ouvirei de certeza pelo menos 2 músicas antes de dar o salto para o palco principal.

(20:50 - NOS) Imagine Dragons: Descobri-os já depois de terem esgotado o Coliseu dos Recreios no verão passado. Cromo repetido? Para mim não, e ainda que o fosse, bandas destas até podem vir a triplicar. Os senhores de It’s Time, On Top Of The World, e Demons serão A banda do dia 1 para mim.

(00:15 - NOS) Artic Monkeys: já que estou lá não posso deixar de ouvir o concerto destes grandes senhores do Indie actual. Já cá passaram e nunca me despertaram a devida atenção. Se me perguntarem “are you mine?” vou dizer que não, o meu coração terá certamente ficado com os Imagine Dragons.

(01:35 - Heineken) Parov Stelar Band: Mostraram-me esta banda hoje de manhã no trabalho e ainda não tive oportunidade de ir ouvir mais (isto de ter timings para lançar uma crónica é tramado!). Do que ouvi, gostei, vai ser bom para aquecer entre Artic Monkeys e Jamie XX.

(02:00 - Clubbing) Jamie XX: Tenho sempre alguma dificuldade em explicar o porquê de gostar do Jamie. Sei lá, gosto da batida, das emoções que são transmitidas através dos sons que ele produz, sinto-me tranquila ao ouvir o que ele faz (e que faz tão bem...). É um grande exemplo como a música não precisa de ter voz para ter emoção.

Dia 11 – "O dia Heineken"
(18:00 - Heineken) Russian Red: é voltar a ler as primeiras linhas sobre Ben Howard e Noiserv, a tristeza é a mesma.

(21:20 - Heineken) Sam Smith: fui a Londres há umas semanas e vi muitos cartazes dele espalhados pelas paredes das diferentes estações de metro mas não o conhecia. Foi um dos artistas que descobri no t.p.c da semana passada. E que artista. Sem dúvida alguma, O artista do dia 2 para mim.

(22:45 - Heineken) We Trust: há uns anos abriram o palco principal. Lembro-me tão bem.. O sol batia-me na cara e eu com os olhos fechados, como que para sentir melhor, a ouvir “Better not Stop, better not stop moving”. Desta vez o sol não me vai bater na cara mas a experiência será igualmente boa com certeza.

(00:00 - Heineken) Au Revoir Simone: finalmente alguma voz feminina. E que bonita! O trio dispensa apresentações.

(01:30 - Heineken) SBTRKT: (lê-se subtract, não me posso esquecer..ufff esqueço-me sempre!) Perdi-o há umas edições atrás do Alive e hoje com o que sei, arrependo-me. Tem sido a minha banda sonora para ler o livro que tenho atualmente entre mãos.

(03:00 - Heineken) Caribou: Também já o perdi no Alive há uns anos, desta não escapa. Vai ser um bom fim de noite.

Dia 12
(18:00 - NOS) You Can’t Win Charlie Brown: nunca é demais ouvir estes rapazes. É começar o terceiro dia da melhor forma.

(18:40 - Heineken) Cass McCombs: vou fugir de YCWCB para ver pela primeira esta banda. Parece-me aquela banda que me vou arrepender mais tarde caso não os veja (assim como aconteceu com tantas outras bandas na edição passada do festival)

(20:45 - NOS) Bastille: a estreia em Portugal e eu ansiosa. Desengane-se quem pensa que são uma banda para um hit (Pompeii), este concerto promete. Façam por favor chegar a quem de direito que eu gostava que tocassem o mash-up com a Ella “No Angels”, as outras canções que eu adoro, de certeza que serão tocadas.

(22:25 - NOS) Foster the People: tenho ouvido o segundo álbum deles várias vezes nas últimas semanas, canções fortes e com aquele ritmo energético a que nos habituaram com a “Pumped up Kicks”.

(23:55 - Heineken) Daughter: vi-os no Vodafone Mexefest em Novembro e apesar de não conseguir dizer que fiquei desiludida, sinto que ficaram aquém das minhas expectativas. Parece contraditório? Talvez. Esperava mais interação com o público e mais energia em palco. Apesar disto, os Daughter a par com os Bastille são AS bandas do dia 12.

(01:20 - Heineken) Chet Faker: sabem aquelas bandas que se descobrem porque um amigo partilhou uma música dessa banda? Foi isso. E foi amor à primeira vista.

(02:50 - Heineken) Nicolas Jaar: conheci-o na mesma altura em que me deram a conhecer o James Blake. Pouco conhecido para a maioria e com melodias que nem todos poderão gostar. Quanto a mim, enquanto houver energia, estarei lá de pé a deliciar-me com ele. E quando a energia faltar, vou sentar-me e continuar a deliciar-me.

Para quem usa o Spotify recomendo que ouçam a playlist criada para o Optimus Alive. Deste modo, podem se sintonizar no groove tão característico deste festival e descobrir uma banda para tapar aquele buraquinho livre que têm no plano.




16/06/2014

Review: Lana Del Rey "Ultraviolence" (2014)

Lana Del Rey é um fenómeno que se define, em palavras próprias, como uma "gansta Nancy Sinatra".

Depois do polémico disco de estreia Born To Die, a artista apresenta-nos hoje, dia 16 de junho, o sucessor Ultraviolence.

Lana Del Rey
Ultraviolence
Jun 16, 2014

Ao contrário do que se espera, Lana Del Rey rejeita o título de feminista. Mas é inegável a sua ligação às artes dramáticas e a forma como alia a sua voz particular com componentes visuais - elementos que se notam, especialmente, nos seus videoclips que mais parecem excertos do cinema dos anos 50 e 60.

Lana descreve-o como "muito forte e intenso. É incrivelmente bonito - mais obscuro que o primeiro".
Com um título polémico, Ultraviolence, que viaja entre problemáticas amorosas, depressões sobre a vida e a própria obscuridade do ser humano, é um disco versátil e conciso que brinca com as múltiplas personalidades do alter-ego de Elizabeth Grant.

Este disco é um upgrade do que a Lana Del Rey nos mostrou há dois anos e mostra porque rejeita todos os títulos do "music-industry hype" que deambula entre o dramatismo e a escuridão à qual a artista já nos habituou, com proximidades mais contemporâneas sem deixar de explorar o mundo do jazz, R&B e do seu característico pop.

No geral, Ultraviolence consegue transmitir uma viagem no tempo, fortalecidos por um alter-ego negro e obscuro e a sua luta interior, marcada pela vida, pelo amor e angústia - bem salientados pela dureza da sua voz e escuridão dos instrumentos - que nos envolve numa atmosfera confortável mas eficaz.

07/06/2014

Entrevista // Yesterday

O projecto Yesterday, liderado pelo português Pedro Augusto, ganhou, em 2006, o festival Termómetro Unplugged e em 2012, participou na compilação Novos Talentos FNAC e venceu, igualmente, o prémio Jovens Criadores.


Em conversa com o FYMS, Pedro Augusto vai falar sobre as suas influências, do seu mais recente trabalho The Waiting e da forma como se revê enquanto músico.

Tudo bons motivos para seguir a leitura na íntegra da conversa, abaixo.


FYMS: Yesterday é o nome deste projecto. Alguma vez pensaste fazer música com o teu nome – Pedro Augusto?
Sim! Houve uma altura, entre 2006 e 2009, em que descobri que conseguia cantar em português. Até aí tinha sido muito difícil expressar-me musicalmente na nossa língua e não conseguia encontrar uma forma de cantar as palavras que se arrastasse e que não fosse agressiva na dicção. Quando, ao ouvir muitas histórias antigas dos meus avós, eu comecei a anotar as palavras deles e a transformá-las em música, a palavra “Yesterday” teve um pequeno percalço e, por momentos, achei que o meu nome próprio era a melhor expressão desse período. Mais tarde, apercebi-me que a palavra “Yesterday” não tinha perdido assim tanto o sentido e nunca cheguei a abandoná-la.

FYMS: Quais são as tuas principais influências para a tua música?
Eu cresci a ouvir Cranberries. Contudo, quando a banda terminou, deparei-me com uma espécie de vazio; quase como se eu, depois disso, tivesse que descobrir música pela primeira vez. Foi aí que eu involuntariamente encontrei os Dead Can Dance, Mazzy Star, Pj Harvey, Bjork, Radiohead e que são influências, não porque influenciam a minha música directamente, mas porque, indirectamente, marcaram um novo período da minha vida pessoal – uma espécie de entrada na idade adulta. Mas, em geral, não sou um grande apaixonado por música.

FYMS: Onde te revês enquanto músico?
Um pouco à margem da indústria musical. Às vezes, sinto-me nos limites de um círculo onde nem toda a gente entra e apercebo-me, ao mesmo tempo, que prefiro ficar cá fora.

FYMS: Lançaste o teu sexto disco sob o nome “The Waiting”? Houve muita espera?
O sentimento de espera não esteve relacionado com a divulgação do álbum, nem com as condições da sua gravação. Teve a ver mais com o sentimento que está por detrás da construção de um álbum. Geralmente, este sentimento de espera esteve e estará sempre presente: as minhas músicas nascem sempre de um sentimento mais ou menos forte de fascínio por algo que nunca se deixará ver e isso implica sempre uma espera. No período subjacente a este álbum, isso expressou-se ainda com mais força.

FYMS: Sentes que este novo trabalho está a ter uma maior aceitação pelo público?
Este é o primeiro álbum onde decidi fazer uma divulgação profissional e, por isso, é normal que o seu alcance seja maior. Hoje em dia, apercebo-me, cada vez mais, que o alcance de um produto tem menos a ver com a maior ou menor qualidade do mesmo, mas com os meios disponíveis para o poder divulgar.

FYMS: Existe algum artista com quem gostasses de trabalhar?
Sou um pouco fascinado com sons electrónicos e samples. Quando ouço um ritmo, começo logo, involuntariamente, a arranjar melodias para sobrepor. Por isso, gostaria de trabalhar com alguém que me fizesse desbloquear essas melodias. Neste momento, já me encontro a trabalhar com um artista americano nesse sentido. Não posso, contudo, esconder o meu fascínio pela PJ Harvey.

FYMS: Como achas que está música Portuguesa?
É um pouco difícil responder a esta pergunta. Às vezes temos um pouco a noção de que a música Portuguesa é apenas aquilo que se ouve nas rádios. Já há lugar para os artistas portugueses nos canais de divulgação, mas para lá chegar continuam a ser precisos meios (sobretudo financeiros). Acho que a qualidade dos projectos musicais não está nada relacionada com qualidade de gravação, prestação ao vivo ou com o facto de aparecer ou não na rádio. Há por aí projectos que se mantêm na “sombra” e que são muito mais entusiasmantes do que as coisas às quais temos um acesso mais ou menos massificado.

FYMS: Perguntas da Praxe:
a) Um dia... gostava de poder viver para criar.
b) O melhor que podem dizer sobre mim... é ser honesto.
c) O pior que podem dizer sobre mim... é que não adapto e que isso é sinal de preguiça.
d) Daqui a 10 anos... vou estar, provavelmente, a gravar em casa o meu 11º disco.

FYMS: Quais são os próximos planos para Yesterday?
Como eu nunca paro de compor, já há novos temas para além dos do “The Waiting”. Alguns deles podem passar por colaborações com outros músicos, sobre as quais me encontro já a trabalhar. Encontro-me a fazer pequenas apresentações ao vivo e assim continuarei nos próximos meses.

FYMS: O que dirias aos leitores do FYMS?
Que, hoje em dia, quanto mais fácil acesso temos às coisas, mais temos que nos esforçar por encontrar outras… Espero que encontrem o meu novo álbum!


Mais informações sobre o artista aqui.

02/06/2014

Review: Damon Albarn "Everyday Robots" (2014)

Texto da autoria de Diogo Barreto

Damon Albarn conseguiu ser, em pouco mais de 25 anos de actividade, um compositor reconhecido, produtor, impulsionador de um dos movimentos musicais mais importantes da década de 90, activista político e, ainda ser aclamado como o quarto melhor frontman de sempre num Poll da revista de música britânica Q.
Vocalista da mítica banda Blur, fundador e músico do projecto Gorillaz, Damon Albarn teve ainda vários outros projectos, como os Rocket Juice & The Moon e os The Good, The Bad & The Queen. Com toda esta actividade, não é de espantar que só este ano tenha lançado o seu primeiro disco a solo.


Damon Albarn
Everyday Robots
Abr 25, 2015
Everyday Robots é o nome do registo que Albarn afirmou ser de procura e descoberta, bem como autobiográfico. O disco foi lançado no dia 25 de Abril, embora tenha estado em streaming no iTunes desde o dia 22 do mesmo mês.
Todas as músicas do disco foram compostas por Damon Albarn e Richard Russel que se encarregaram também da produção. Para dar mais textura às músicas, foram chamados vários músicos convidados, como Brian Eno ou Natasha Khan (a.k.a. Bat for Lashes).

Com algum ecletismo, as músicas do disco variam entre melancólicas e com um acompanhamento muito simples até músicas com conjuntos de cordas e coros para dar mais textura às composições.
As temáticas do disco alternam entre a vida pessoal do músico, com recontos sobre o seu consumo de heroína (You and Me), ou os momentos mais marcantes da sua vida (Hollow Ponds) e a dicotomia do ser humano contra a máquina; do orgânico contra o mecânico. “It’s hard to be a lover when the TV’s on, nothing is in your eye” afirma Albarn em The Selfish Giant, exemplificando esse conflicto tão comum na sociedade em que vivemos.

O músico britânico arranja ainda espaço para nos mostrar o seu lado mais soalheiro, na música Mr. Tembo - sobre um elefante bebé – e passar uma mensagem de esperança em Heavy Seas of Love, mostrando que nem tudo está perdido enquanto tivermos alguém que nos apoie.
Damon Albarn provou que consegue ser um grande músico, estando na frente, sem se diluir numa banda. Este álbum dá prova disso, sendo um disco de uma qualidade extrema, que decerto proporcionará grandes momentos aos ouvintes. 
E sigam o conselho de Damon, “Just Left on repeat”.


- versão alongada aqui -

15/05/2014

"Ultraviolence", de Lana Del Rey, vai ser lançado em Junho

O disco sucessor de Born to Die chega ao público, dias antes da artista actuar na edição deste ano do festival britânico Glastonbury.


A data confirmada para o lançamento de Ultraviolence é o dia 16 de Junho.

O disco vai ser lançado em três formatos: CD, vinil e formato digital, contando também com uma edição de coleccionador.

Este segundo trabalho, cuja capa foi revelada há uns dias, vai incluir temas - já conhecidos - como Money Power Glory ou The Other Woman, que já tem como single de apresentação West Coast - ler aqui.

07/05/2014

D'ALVA anunciam #batequebate


#batequebate é o nome do disco de apresentação dos D'ALVA.

Que eles são uma das bandas mais inovadoras e frescas do panorama actual da música portuguesa - bom, isso já se sabia.

E hoje, anunciam ao mundo o nome deste disco - que relembramos teve um leak e saiu ao mundo mais cedo, ler aqui - e a perspectiva do seu próprio trabalho.


Os D'ALVA pertencem à geração da internet culture - e nas suas palavras, o Universo D'ALVA é uma "mescla de padrões, de ritmos, de gifs em loop, sons, samples, cultura pop e iconografia resgatada dos anos 80 e 90 revisitados à luz do tempo em que vivemos dá no que fazemos."

Este título #batequebate vai reflectir esse seu universo - um movimento, um loop, um jogo de palavras que mostra o seu lado criativo, despretensioso mas especial com uma referência muito actual o hashtag, tornando o título numa brincadeira que ganha, inevitavelmente, vida através da repetição do ritmo "bateque-bateque-bateque-bate".

A capa foi criada por Pedro Lourenço e Sofia Martins e que vai mostrar, novamente, o Universo D'ALVA - "são pedaços de tudo, mas que de algum modo fazem todo o sentido", revelam-nos os D'ALVA.

Ainda deixam no ar, uma espécie de convite "Quem puder que adquira a cópia física, mais que um suporte é um pedaço de arte com 'recheio surpresa'."

Frescobol é o single de apresentação de #batequebate - que ficará disponível no final de Maio.


O Lewis M., membro dos Salto, ouviu o single e os D'ALVA partilharam a sua reacção - ver aqui.

os D'ALVA actuam no festival Optimus Alive, a 11 de Julho.

04/05/2014

Ella Eyre apresenta "Deeper"

Ella Eyre - um nome a memorizar pois esta jovem vai dar que falar.

Com apenas 20 anos, esta jovem menina de Londres começou a sua carreira ao dar voz à música Waiting All Night dos Rudimental - ver aqui - e colaborando no single Think About It de Naughty Boy com o Wiz Khalifa, para além de algumas colaborações em músicas da banda Bastille ou Tinie Tempah.

Esta (nova) fera, que está reinventar o soul, acompanhou os Rudimental em tourné durante uns meses mas decidiu que era altura de dar oportunidade ao seu material a solo.
O primeiro resultado é o poderoso Deeper, com inspirações de motown que vai contrastar com a voz crua e rude com muito groove à mistura.


Ella Eyre lançou o seu primeiro EP Deeper em Dezembro de 2013, e ainda não está prevista a data de lançamento do seu primeiro disco, estando apenas marcado para o Outono de 2014.

15/04/2014

Yesterday edita "The Waiting"

Yesterday lançou online, a 7 de Abril, o seu sexto trabalho, The Waiting.

O projecto, liderado pelo português Pedro Augusto, ganhou, em 2006, o festival Termómetro Unplugged e em 2012, participou na compilação Novos Talentos FNAC e venceu, igualmente, o prémio Jovens Criadores.
De acordo com o músico, este disco "fala da esperança, constemente renovada, da espera e, às vezes, da sua negação", como se pode ler aqui.

Até à data, já foram lançados os singles Destruction e para celebrar o lançamento do disco, mais dois singles Isolation e September.



The Waiting está disponível para download gratuito ou através do bandcamp aqui.

Lana del Rey lança novo single "West Coast"

A norte-americana Lana del Rey lançou ontem West Coast, o single de avanço de Ultraviolence.

West Coast é uma canção muito diferente dos temas melodramáticos do anterior Born to Die, tendo um som muito característico e teatral dos anos 80, baseando-se numa guitarra solitária e em vozes ansiosas e intensas que envolvem todo o tema.


Entretanto, Lana del Rey apresentou o single ao vivo, no festival Coachella, onde tocou no passado fim-de-semana - tendo sido incrivelmente bem recebido pela audiência presente.

Ultraviolence conta com a colaboração de Dan Auerback - conhecido por ser membro dos The Black Keys. A cantora descreve este Ultraviolence como "muito forte e intenso. É incrivelmente bonito - mais obscuro que o primeiro" - e tem como data prevista de lançamento, o dia 1 de Maio.

01/04/2014

We Trust, We Are The Ones

We Trust, um projecto liderado por André Tentugal, deu recentemente a conhecer We Are The Ones, o single de apresentação do segundo disco que tem data prevista para este ano.

Este single vai estar disponível em plataformas online como iTunes ou Spotify, e vai contar com vários convidados como X-Wife, Dear Telephone e Little Friend. Outra grande novidade é a presença da Orquestra Artave que, sem dúvida, que transporta a música da banda para um mundo totalmente mágico.

O video foi feito por jovem realizador da Nova Zelândia, Robert Wallace e que vai complementar de forma muito simbólica a mensagem transmitada por este We Are The Ones.

19/02/2014

Pharrell Williams lança "G I R L" em Março

O galardoado produtor e músico Pharrell Williams está de regresso.


Depois de um ano cheio de êxitos, com hits que incluem Get Lucky dos Daft Punk e Blurred Lines de Robin Thicke ou, mais recentemente, como vencedor do prémio Grammy para Melhor Produtor do Ano, Pharrell anuncia agora o seu regresso à música.

Hoje anunciou, na página da rede social Facebook, que o seu próximo trabalho se vai chamar GIRL e a data escolhida para o lançamento é o dia 3 de Março.

O álbum já se encontra em pré-venda aqui - quem o fizer, recebe a música Happy (também, incluída na banda sonora do filme de animação Despicable Me 2) de avanço.


05/02/2014

O estranho caso de Miley Cyrus

Miley Ray Cyrus nasce em 1992 em Nashville. Começa por ficar conhecida em 2006 quando intepreta o papel de Miley Setwart em Hannah Montana, uma série do Disney Channel. Em 2008, já era eleita como uma das 100 famosas mais bem pagas do mundo, tinha então 16 anos. Até à data já lançou 4 álbuns e vendeu cerca de 20 milhões de CDs.

Mas como é que a ídolo de muitos pré-adolescentes se transforma na rebelde Miley que todos nós invariavelmente já comentámos, devido às suas aparições polémicas?


Em 2006, a Walt Disney lança o primeiro álbum de Hannah Montana. Em 2007, sai o disco Hannah Montana 2: Meet Miley Cyrus, o segundo álbum da série e o primeiro da Miley. Dois anos depois, sai Breakout, o primeiro CD sem qualquer ligação aparente com a série da Disney. Ao avaliar o conteúdo do álbum bem como o artwork do mesmo, até então, pouca coisa ainda tinha mudado.

O ano de 2008 estava guardado para o lançamento do terceiro álbum: Can’t Be Tamed. O single de apresentação marca de forma evidente a separação da ingénua criança Miley, a que o seu público estava habituado, para uma jovem rebelde.


Corria o ano de 2008 e a Miley era uma criatura rara que estava numa jaula e que não podia ser domesticada. Uma pergunta surge: Será que as crianças que a seguiam na série da Disney continuavam a apoiá-la? Afinal também elas cresceram... Será a Miley um ícone para a nova geração teen?

Mas o que realmente dá que falar é o novo álbum Bangers, lançado a 4 de Outubro de 2013. Ainda em 2012, e por considerar que a sua editora não a deixava voar tanto quanto quereria, a Miley mudou de editora.

Uns meses antes do lançamento do álbum, já as polémicas tinham começado.

Em Agosto, ao receber um prémio no MTV European Music Awards, em Amesterdão, opta por acender, ao que tudo indica, um charro para dizer umas quantas palavras de agradecimento. Necessário? Não poderia esperar? Ou mais um motivo para ser falada, aliado à sua prestação algo vulgar nessa mesma noite em que interpretou com Robin Thicke um mash-up da música We Can’t Stop e Blurred Lines?

Em Setembro, 1 mês antes do lançamento oficial, o vídeo do segundo single Wrecking Ball é lançado e alcança 19,3 milhões em 24 horas.


Nunca saberemos se este sucesso se deveu à letra, musicalidade ou ao vídeo... Mas desconfiamos que a Miley a dançar nua em cima de uma bola, a lamber um martelo ou a partir paredes, tenha ajudado a aumentar as visualizações.

Já o vídeo da música Adore You (http://www.youtube.com/watch?v=W1tzURKYFNs), depois destas polémicas, acaba por não chocar.

A Miley Cyrus é pop. E a pop por si só já ocupa 95% do tempo em todas as rádios. Logo por esta via, já terá uma grande probabilidade de sucesso. É certo que a grande maioria dos artistas cantam e  produzem pop. Mas era necessário? Eram necessário estes vídeos? Estas constantes aparições polémicas? Não está em causa aqui o talento vocal dela ou das suas músicas, se calhar até tem mais talento que outras artistas mas... era necessário? Que estratégia é esta da Miley, agente e editora? Qual será a próxima “bomba”?

Quanto a nós, preferimos esquecer estes escândalos e relembrar as palavras da Adele: No-one’s ever told me to lose weight or anything like that. I don’t rely on my t**s to have hits.

Quanto à Miley Cyrus, se for esta estratégia a ser seguida resta-nos, como apreciadores de música, esquecer as polémicas e cingir-nos ao que ouvimos no álbum de forma a tecer uma crítica construtiva sobre o que realmente importa: a música.

Depois da música vem o “resto”. Mas esse resto nunca incluirá situações para chamar a atenção dos media ou vídeos com artistas nus ou seminus, sejam eles de que género forem. O resto poderá ser videoclips como Happy do Pharrell Williams (http://www.youtube.com/watch?v=y6Sxv-sUYtM) ou performaces ao vivo como a P!nk  e outros artistas já nos tem vindo a habituar. Para além da música, enquanto fã, gosto de ver um artista que complementa a sua música com algo que faça realçar a sua qualidade e talento.

O que penso quando falam da música Wrecking Ball? A postura apresentada pela Miley Cyrus no videoclip de promoção. O que penso quando falam dos concertos da P!nk ou dos Muse? A forma como procuram explorar os sons que criaram em estúdio para tornar os seus concertos num espetáculo musical para aqueles que os seguem.


Chegámos à altura em que é de duvidar a confiança que o manager, editora e a própria Miley têm no talento da mesma. Não são as suas canções/albúms e a sua capacidade vocal suficientes para a fazer vingar no mundo (dos “crescidos”) da música?
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